Operário de 27 anos é encontrado morto após trator afundar em tanque de lama em mineradora de SP
O corpo de Vitor Gabriel da Mota, de 27 anos, foi localizado na tarde desta sexta-feira (27) após mais de 48 horas de buscas intensivas. O operário ficou soterrado quando o trator que operava tombou e afundou em um tanque com lama em uma mineradora de Corumbataí, no interior de São Paulo.
Detalhes do acidente e resgate complexo
O acidente ocorreu por volta das 15h de quarta-feira (25), quando Vitor Gabriel realizava uma manobra na área rural. Segundo o Boletim de Ocorrência, o veículo tombou e afundou no tanque de lama, onde a lagoa possui dimensões aproximadas de dois campos de futebol e cerca de 14 metros de profundidade. A máquina estava submersa a 4 metros.
Equipes do Corpo de Bombeiros e da Defesa Civil trabalharam incessantemente para localizar a vítima. Inicialmente, tentaram mergulho autônomo, mas a operação foi inviabilizada devido à alta densidade dos rejeitos, que dificultavam a visibilidade e a movimentação.
Em seguida, utilizaram uma retroescavadeira e cabo de aço para içar o trator de aproximadamente 15 toneladas. No entanto, o cabo se rompeu devido ao peso do maquinário e à instabilidade do solo argiloso, fazendo com que o veículo afundasse ainda mais.
Últimos momentos de contato e angústia familiar
Durante aproximadamente três horas após o acidente, Vitor Gabriel permaneceu dentro da cabine do trator, que é totalmente fechada e vedada, mantendo contato com as equipes de resgate por rádio. Segundo relatos, ele chegou a pedir que seus colegas transmitissem uma mensagem para sua mãe.
"Fiquei sabendo que pediu para os colegas me dizerem que ele me amava muito", contou Raquel Oliveira, mãe do operário, em entrevista. A dona de casa de 48 anos descreveu os últimos dias como extremamente difíceis, marcados por espera e angústia. "Não tenho mais esperança de o meu filho estar vivo. Só quero que encontre o corpo o mais rápido possível", declarou.
Operação de dragagem e posicionamento da empresa
Diante das dificuldades, as equipes optaram por uma estratégia de dragagem, utilizando duas dragas da própria mineradora para remover o material de rejeitos para outro açude, permitindo o acesso à cabine da máquina e à vítima.
O capitão do Corpo de Bombeiros, João Laso, destacou a complexidade da operação: "É um trabalho delicado, que exige paciência e que envolve riscos aos bombeiros. Temos que fazer com certa cautela devido ao risco de movimentação do maquinário sob os rejeitos".
Em nota, a mineradora responsável, Água Bonita / Extramix, lamentou o ocorrido e informou que está prestando todo o suporte necessário para o resgate. "A empresa aguarda a conclusão dos trabalhos do Corpo de Bombeiros e da Polícia e permanece à disposição das autoridades", afirmou no comunicado.
O caso segue sob investigação das autoridades competentes, que trabalham para esclarecer todas as circunstâncias do trágico acidente que tirou a vida do jovem operário.



