Bombeiros continuam buscas por operário após trator afundar em tanque de lama em Corumbataí
As equipes do Corpo de Bombeiros seguem, nesta sexta-feira (27), no terceiro dia de buscas intensivas pelo trabalhador Vitor Gabriel da Mota, de 27 anos, que desapareceu após o trator que operava cair e afundar completamente em um tanque de lama. O grave acidente ocorreu em uma mineradora localizada na cidade de Corumbataí, no interior de São Paulo, na quarta-feira (25) por volta das 15 horas.
Operação de resgate complexa e contínua
O resgate do operário já ultrapassa 30 horas de trabalho ininterrupto, inclusive durante as madrugadas, em uma operação considerada extremamente complexa pelos especialistas. A lagoa de rejeitos onde o trator afundou possui dimensões impressionantes - equivalente a aproximadamente dois campos de futebol - e profundidade estimada em 14 metros. Atualmente, a máquina pesando 15 toneladas está submersa a cerca de 4 metros de profundidade.
Segundo informações detalhadas do Boletim de Ocorrência, Vitor Gabriel da Mota realizava uma manobra de rotina quando o trator tombou abruptamente e afundou no tanque de lama localizado na área rural. O trabalhador permaneceu dentro da cabine do equipamento, que é totalmente fechada e vedada, mantendo contato por rádio com as equipes de resgate por aproximadamente três horas. Durante esse período crítico, ele ainda dispunha de oxigênio disponível na cabine.
Estratégias de resgate e dificuldades encontradas
Inicialmente, as equipes de bombeiros tentaram realizar o resgate através de mergulho autônomo, mas a operação foi rapidamente interrompida devido à alta densidade dos rejeitos na lagoa, que comprometiam severamente tanto a visibilidade quanto a movimentação dos mergulhadores. Em seguida, foi realizada uma tentativa de retirar o trator utilizando uma retroescavadeira, porém o cabo de aço utilizado na operação rompeu dramaticamente devido ao peso excessivo do maquinário combinado com a instabilidade do solo argiloso, fazendo com que o equipamento afundasse ainda mais.
O capitão dos Bombeiros, João Laso, explicou que após análise minuciosa da situação por uma equipe especializada do Grupamento de Bombeiros Marítimos, foi definido que a estratégia mais segura e eficaz no momento consiste na continuidade da drenagem da lagoa de rejeitos. Isso se deve ao grande volume de lama que recobre completamente o trator, tornando qualquer tentativa de acesso direto extremamente perigosa.
"Atualmente tentamos fazer o acesso com dragagem desse material de rejeitos para outro açude para assim acessar a cabine da máquina e a vítima. Estamos trabalhando com duas dragas da própria empresa, tomando cuidado para não afetar a posição da máquina. É um trabalho delicado, que exige paciência e que envolve riscos aos bombeiros, e temos que fazer com certa cautela", afirmou o capitão Laso, destacando os riscos envolvidos na operação.
Comunicação interrompida e silêncio da empresa
De acordo com relatos oficiais, após cerca de três horas mantendo comunicação direta com as equipes de resgate, o trabalhador começou a apresentar dificuldades para falar. Não há informações precisas sobre o momento exato em que ele parou de responder aos chamados, aumentando a preocupação das equipes de salvamento.
A Extramix - Concreto LTDA, empresa responsável pela mineradora onde ocorreu o acidente, foi procurada para se manifestar sobre o caso, mas informou através de seus representantes que, por enquanto, não irá se pronunciar publicamente sobre o incidente. A postura da empresa tem gerado questionamentos sobre as condições de segurança no local de trabalho.
As operações de busca e resgate continuam em ritmo acelerado, com as equipes utilizando equipamentos especializados e estratégias meticulosamente planejadas para tentar localizar e resgatar o operário soterrado, em uma corrida contra o tempo que mobiliza toda a comunidade de Corumbataí e região.



