Advogada se torna primeira sobrevivente com mais de 60% do corpo queimado em hospital do Paraná
Sobrevivente com 63% do corpo queimado deixa UTI andando no PR

História de superação: advogada sobrevive a incêndio com 63% do corpo queimado

A advogada Juliane Vieira, residente em Cascavel, no Paraná, conquistou um marco médico ao se tornar a primeira paciente do Hospital Universitário de Londrina a sobreviver e deixar a Unidade de Terapia Intensiva caminhando após chegar à unidade com mais de 60% do corpo queimado. O caso, considerado um dos mais complexos na história do hospital, representa uma vitória coletiva para a equipe multidisciplinar.

Tratamento especializado e esforço conjunto

O Hospital Universitário de Londrina, referência no tratamento de queimados no estado, conta com mais de 100 profissionais altamente especializados, incluindo cirurgiões plásticos, intensivistas, psicólogos, enfermeiros e fisioterapeutas. Juliane permaneceu três meses internada na UTI, submetendo-se a quase 20 procedimentos cirúrgicos, como enxertos, transplante de pele e raspagem.

"Foi uma vitória muito comemorada por todos, porque ela exigiu um esforço da equipe e quando a gente ganha o jogo, todo mundo junto, a gente comemora com mais alegria", destacou um membro da equipe. A cirurgiã plástica Xenia Tavares relembrou o desafio inicial: "Na hora que ela chegou, ele disse: 'Meu Deus, o desafio vai ser gigantesco.' Quando eu vi os membros inferiores queimados, eu falei: de onde nós vamos conseguir pele para essa menina?".

Detalhes do acidente e resgate heroico

O incêndio ocorreu em 15 de outubro de 2025, no apartamento onde Juliane morava com a mãe, Sueli, e o primo Pietro, de 4 anos, localizado no 13º andar de um prédio em Cascavel. O fogo começou na cozinha e se espalhou rapidamente, com a porta principal trancada e sem rota de fuga evidente.

Em um ato de coragem, Juliane saiu pela janela e se apoiou em um suporte de ar-condicionado. Primeiro, conseguiu colocar o primo em segurança no apartamento de baixo. Depois, com ajuda de pessoas que estavam na rua, a mãe também foi resgatada. A advogada acabou sendo retirada pelos bombeiros por dentro do apartamento em chamas, episódio em que um dos bombeiros sofreu queimaduras de terceiro grau.

Fatores cruciais para a recuperação

Apenas a cabeça e parte das costas de Juliane não sofreram queimaduras graves. Ela ficou mais de um mês em coma induzido, mas a força muscular, por ser atleta de CrossFit, e a confiança pessoal foram elementos fundamentais para sua recuperação. A médica intensivista e coordenadora médica do CTQ, Maria Carolina Bertan Barutt, destacou: "Ela é uma pessoa muito querida, Ju, ela sempre sorriu muito, eu ainda brincava com ela, falava Ju, você tem um dos sorrisos mais bonitos que eu já vi".

Em sua primeira entrevista após o acidente, Juliane expressou profunda gratidão: "Eu tenho muita gratidão às minhas médicas, as enfermeiras, enfermeiras que cuidaram de mim com tanto carinho, com tanto amor, com tanto cuidado. Sempre fizeram de tudo para que eu me sentisse bem". A equipe médica ressaltou que "nós temos vitórias pequenas e grandes ao longo do ano, mas um paciente com 63% de área queimada, a maior parte espessura profunda e conseguir sair andando, para nós foi realmente uma grande vitória".

Impacto e significado do caso

Este caso não apenas ilustra a resiliência humana diante de tragédias, mas também evidencia a excelência do sistema de saúde paranaense no atendimento a vítimas de queimaduras graves. A história de Juliane Vieira serve como inspiração e demonstra a importância do trabalho integrado entre profissionais de saúde, familiares e a própria paciente no processo de recuperação.