Justiça do Maranhão ordena intervenção municipal no transporte público de São Luís
Justiça do MA ordena intervenção no transporte de São Luís

Justiça do Maranhão ordena intervenção municipal no transporte público de São Luís

A Justiça do Maranhão determinou, na terça-feira (14), uma intervenção urgente no sistema de transporte público da capital, São Luís. A decisão judicial exige que a Prefeitura de São Luís assuma, em um prazo máximo de 48 horas, a operação das linhas do Lote 2, anteriormente geridas pelo Consórcio Via SL. O consórcio, formado pelas empresas Expresso Rei de França e Expresso Grapiúna, paralisou suas atividades alegando uma grave crise financeira insuperável.

Impacto direto em mais de 30 bairros da capital

O Lote 2 do transporte público de São Luís atende diretamente mais de 30 bairros da capital maranhense, incluindo regiões de alta densidade populacional e grande circulação diária de passageiros. Entre as áreas afetadas estão:

  • Cohatrac, Cohatrac II e Cohatrac IV
  • São Raimundo
  • Angelim
  • Vila Palmeira
  • Parque Amazonas
  • Areinha
  • Vila dos Nobres
  • Parque Pindorama
  • Pedra Caída
  • Alemanha
  • Fé em Deus
  • Vila Cascavel
  • Alexandra Tavares
  • Vila Esperança
  • Recanto Verde
  • Santa Bárbara
  • Mato Grosso
  • Tajipuru
  • Vila Vitória
  • Cajupary
  • Tajaçuaba
  • Ipem Turu
  • Pequizeiro
  • Vila Lobão
  • Vila Itamar
  • Recanto dos Pássaros
  • Tibiri
  • Forquilha
  • Bairro de Fátima
  • Parque dos Nobres

Com a paralisação do consórcio, milhares de passageiros ficaram sem o serviço essencial de transporte, o que motivou a ação judicial imediata para restabelecer a normalidade.

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Caducidade do contrato e medidas emergenciais

A Justiça declarou a caducidade do contrato de concessão com o Consórcio Via SL, encerrando definitivamente o acordo por culpa da empresa concessionária. Com o fim do contrato, a Prefeitura de São Luís tem autorização para assumir diretamente a operação das linhas ou contratar outra empresa em caráter emergencial, com o objetivo primordial de garantir o atendimento contínuo à população.

Para viabilizar a retomada imediata do transporte, a Justiça autorizou a Secretaria Municipal de Trânsito e Transportes (SMTT) a utilizar até 30 ônibus que eram alugados pelo consórcio. Os veículos pertencem a uma empresa de locação e serão incorporados ao plano emergencial municipal. Como contrapartida, o Município deverá depositar mensalmente R$ 10 mil por veículo em uma conta judicial, como forma de indenização à empresa proprietária dos ônibus.

Preservação de empregos e crise financeira do consórcio

A decisão judicial também incluiu uma recomendação expressa para a preservação dos empregos dos rodoviários. O juiz sugeriu que a nova operação emergencial priorize a contratação de motoristas e cobradores que já atuavam na Via SL, visando reduzir o impacto social da paralisação e garantir a renda das famílias afetadas.

Durante audiência realizada na terça-feira, o gerente da concessionária, Diego Rocha, afirmou que a Via SL enfrenta uma crise financeira grave e não possui qualquer possibilidade de retomar as atividades. O processo de recuperação judicial da empresa, que tentava evitar a falência, foi encerrado por falta de condições de continuidade, consolidando a situação de insolvência.

Consórcio é alvo de investigação por ocultação de patrimônio

O Consórcio Via SL é alvo de investigações judiciais por suposta ocultação de patrimônio. Na terça-feira (7), a Justiça do Maranhão determinou o bloqueio de até R$ 50 milhões em bens de pessoas físicas e empresas ligadas à Expresso Rei de França, empresa líder do consórcio. A decisão apontou a existência de um sócio oculto e o uso de "laranjas" para ocultação de patrimônio.

Segundo a decisão judicial, o verdadeiro controlador da empresa seria o empresário Pedro Paulo Pinheiro Ferreira, que utilizaria interpostas pessoas para esconder sua atuação. Entre os nomes citados estão sua filha, Deborah Piorski Ferreira, sócia formal do grupo, e Willame Alves dos Santos, apontado como administrador da empresa e que consta na lista de beneficiários do Bolsa Família.

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A maioria das empresas atingidas pelo bloqueio atua no setor de mineração, incluindo uma empresa de extração mineral avaliada em R$ 136 milhões, com a maior parte registrada no estado do Ceará.

Contradições nos argumentos financeiros

O consórcio Via SL alegou falta de pagamento dos subsídios da Prefeitura de São Luís como justificativa para a paralisação. No entanto, documentos apresentados pela própria empresa mostram que o Sindicato das Empresas de Transporte (SET) transferiu mais de R$ 3 milhões para a conta da empresa. No mesmo dia, a conta foi esvaziada com pagamentos relacionados a aluguel, cartão de crédito e à empresa Goldcoltan, sem constar os pagamentos devidos aos funcionários do consórcio.

A intervenção judicial representa um marco na gestão do transporte público de São Luís, com a Justiça assumindo um papel ativo para garantir o funcionamento essencial do serviço e investigar possíveis irregularidades na operação anterior.