Após tragédia na Tijuca, prefeito do Rio anuncia decreto para endurecer regras de bicicletas elétricas
Prefeito do Rio anuncia decreto para bicicletas elétricas após acidente fatal

Prefeito do Rio promete decreto rigoroso para bicicletas elétricas após tragédia fatal na Tijuca

O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Cavaliere, anunciou nesta terça-feira (31) que a prefeitura editará um novo decreto para tornar mais rígidas as regras de circulação de bicicletas elétricas na cidade. A declaração foi feita após o acidente que vitimou fatalmente uma mulher e seu filho de 9 anos, atropelados na Tijuca, Zona Norte do Rio, na segunda-feira (30).

Tragédia reacende debate sobre segurança e infraestrutura cicloviária

Emanoelle Martins Guedes de Farias, de 40 anos, e Francisco Farias Antunes morreram após serem atropelados por um ônibus em um trecho da Rua Conde de Bonfim que não possui ciclofaixa. De acordo com o motorista do ônibus, as vítimas teriam sido fechadas por outro veículo, caíram na pista central e ele não conseguiu evitar o impacto. Emanoelle faleceu no local, enquanto Francisco foi socorrido, mas não resistiu aos ferimentos.

O acidente reacendeu a discussão sobre a falta de regulamentação específica para bicicletas elétricas no Rio e a ausência de ciclovias em vias de grande fluxo. A Rua Conde de Bonfim é uma das principais da Tijuca e não possui infraestrutura cicloviária, obrigando ciclistas a compartilhar a pista com ônibus, carros e caminhões.

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Aumento alarmante de acidentes com veículos elétricos

Dados oficiais revelam um crescimento preocupante de acidentes envolvendo veículos elétricos no município. Em 2023, foram registrados 274 casos, enquanto em 2024 esse número saltou para mais de 2.100 – um aumento superior a 700% em apenas dois anos. Apesar de o Conselho Nacional de Trânsito (Contran) ter estabelecido regras há quase três anos, o Rio ainda não regulamentou como será feita a fiscalização.

Uma lei municipal de 2024 prevê multa de R$ 1 mil para infrações, mas não especifica qual órgão é responsável pelo monitoramento. Essa lacuna normativa tem contribuído para o cenário de insegurança no trânsito carioca.

Reações emocionadas e homenagens às vítimas

Na manhã seguinte à tragédia, duas cruzes foram pintadas no asfalto no local do atropelamento, servindo como marca de luto e alerta sobre os riscos no trecho. O humorista Vinícius Antunes, pai de Francisco, expressou sua dor nas redes sociais: “É o dia mais triste da minha vida. Mas vivemos quase 10 anos muito felizes”.

O Colégio Pedro II, onde o menino estudava, divulgou uma nota de pesar destacando: “Francisco era uma criança amável, doce, sensível, inteligente e muito sabido da vida. É difícil imaginar nossos dias sem a presença desse incrível menino”.

Falta de ciclovias e fiscalização agravam situação

Moradores e comerciantes da região relatam que situações de risco são frequentes devido à ausência de ciclovias. “Não tem ciclovia. Se tivesse, evitaria esse tipo de acidente. O pessoal corta o cruzamento, fecha, com essas bicicletas, aí acontecem essas tragédias”, afirma Giuliana Pires, residente local.

A empresária Vanessa Novaes complementa: “Nós não temos a questão da ciclovia, que acabaria nos protegendo um pouco dessa questão do trânsito. Eu sempre ando numa velocidade baixa por causa do pedestre e do trânsito, mas realmente é muito perigoso”.

Alexandre Martins, outro morador, critica a falta de fiscalização: “Acontecem atropelamentos, eu já presenciei alguns. Falta conscientização. Acho que o povo só aprende com multa. Não tem guarda, não tem fiscalização, não tem legislação em cima disso. Infelizmente, perdem-se vidas”.

Promessas não cumpridas e metas distantes

Em 2021, a prefeitura prometeu entregar 1.000 quilômetros de ciclovias até 2033, mas a meta está longe de ser alcançada. Entre 2023 e 2025, a cidade ganhou apenas 13 quilômetros de novas vias, totalizando pouco mais de 500 quilômetros atualmente. A CET-Rio informou que a previsão é ampliar em 50 quilômetros a rede cicloviária até 2028, dentro do Plano Estratégico da Prefeitura.

Lincon Marco, ciclista habitual, observa: “Eu não via tantas pessoas andando de bicicleta como agora. Pela necessidade da cidade, há necessidade de olhar pra isso”.

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Novo decreto busca definir regras claras

O prefeito Eduardo Cavaliere afirmou que o decreto em preparação deixará bem claro onde os veículos elétricos podem circular e qual velocidade é permitida. “A gente lamenta muito mais uma vítima, aliás, mais duas vítimas de acidente de trânsito. A gente está preparando um decreto que deixe bem claro onde esses veículos podem se deslocar, qual a velocidade que eles podem se deslocar. Temos muitas regras determinadas pelo Conselho Nacional de Trânsito, mas elas precisam ser mais rígidas, mais delineadas. É isso que a gente vai fazer”, declarou o prefeito.

Pelas normas atuais, bicicletas elétricas devem circular preferencialmente em faixas exclusivas, mas o problema persiste quando essa infraestrutura não existe. A reportagem questionou a prefeitura sobre a falta de infraestrutura em diversas vias da cidade, mas não obteve resposta até a última atualização.