Tragédia na BR-277: motociclista morre atropelado em possível corrida ilegal
A cidade de Curitiba foi palco de mais uma tragédia no trânsito na noite de quinta-feira, 19 de setembro. O motociclista Guilherme Xavier de Almeida Rocha Lopes, de 30 anos, perdeu a vida após ser atingido por um veículo que trafegava em alta velocidade na BR-277. A Polícia Civil investiga se o condutor do carro participava de um racha, prática ilegal que moradores da região denunciam ser frequente nas quintas-feiras à noite.
Detalhes do acidente e investigação policial
As câmeras de segurança registraram o momento do impacto violento. Nas imagens, é possível observar que, após o atropelamento, a motocicleta de Guilherme colidiu contra a mureta de proteção e imediatamente pegou fogo. O motorista do carro permaneceu no local após a colisão, mas seu nome não foi divulgado pelas autoridades.
A Polícia Rodoviária Federal (PRF) atendeu à ocorrência e realizou o teste do bafômetro no condutor, que não apresentou indícios de consumo de álcool. No momento do atendimento, conforme a PRF, não havia provas concretas que confirmassem a participação em racha. Baseando-se no artigo do Código de Trânsito Brasileiro que estabelece que motoristas que prestam socorro integral não são presos em flagrante, ele foi liberado.
Entretanto, o motorista não compareceu à Delegacia de Delitos de Trânsito na sexta-feira, 20 de setembro, conforme havia sido orientado. O delegado Edgar Santana, responsável pelas investigações, informou que o inquérito apura a prática do crime de homicídio na direção de veículo automotor. A polícia investigará se o condutor efetivamente participava de uma corrida ilegal e se assumiu o risco de causar a morte da vítima. Caso confirmado, ele poderá responder por homicídio doloso.
Vítima trabalhava em dupla jornada
Guilherme Xavier trabalhava como supervisor de segurança em um shopping center da capital paranaense. No dia do acidente, segundo relatos de amigos, ele encerrou seu turno às 19 horas e iniciou uma segunda jornada realizando entregas como motoboy. A tragédia ocorreu durante essa atividade complementar, que muitos trabalhadores brasileiros realizam para complementar a renda familiar.
Moradores denunciam rachas frequentes e falta de fiscalização
Os residentes das proximidades da BR-277, na saída de Curitiba que liga a capital ao interior do Paraná, denunciam que o trecho é frequentemente utilizado para rachas ilegais, especialmente nas quintas-feiras à noite. Eles alegam que, apesar das ocorrências regulares, a fiscalização não é comum na região.
A Polícia Rodoviária Federal respondeu às alegações afirmando que realiza rondas ostensivas em datas e horários em que se tem conhecimento da prática de infrações relacionadas a corridas irregulares. "Essas práticas são previstas no planejamento operacional das equipes de forma rotineira", declarou o órgão.
No entanto, a PRF reconhece que as corridas ilegais não ocorrem durante a presença ostensiva das equipes policiais. "Os motoristas envolvidos circulam por vários locais da cidade em busca de 'competições' com outros condutores, motivando disputas perigosas que colocam em risco todos que dividem o espaço viário", explicou a instituição.
Penalidades para rachas ilegais
A prática de racha é considerada infração gravíssima de trânsito, com multa que pode chegar a R$ 2.934,70. Além da penalidade financeira, os envolvidos podem ter o direito de dirigir suspenso e o veículo apreendido. Judicialmente, a conduta configura crime punível com detenção de seis meses a três anos, multa adicional e suspensão ou proibição de obter habilitação para dirigir.
Em casos de reincidência, a multa pode ser dobrada, demonstrando a severidade com que a legislação brasileira trata essas competições ilegais que tantas vidas ceifam nas estradas do país.
A tragédia que vitimou Guilherme Xavier reacende o debate sobre a segurança viária na região metropolitana de Curitiba e a necessidade de medidas mais efetivas para coibir as corridas ilegais que transformam vias públicas em pistas de risco.



