A chuva voltou a provocar cenas dramáticas em Pernambuco, especialmente em Jaboatão dos Guararapes, na manhã desta terça-feira (5). A correnteza arrastou um homem que tentou se segurar em um pedaço de isopor e chegou a afundar. Vizinhos informaram que ele conseguiu se salvar.
“Não, isso aqui não é o leito de um rio. Aí embaixo existe uma ponte, que está submersa há quatro dias. Os moradores da vizinhança sabem perfeitamente o que significa a palavra isolamento. Precariedade define isso aqui”, relatou a repórter Mônica Silveira.
Muitas casas estão fechadas e os moradores não têm previsão de retorno. A situação é péssima para o comércio local, como o de Cláudia Cira do Nascimento, que ao menos garantiu o pão desta terça-feira para os vizinhos que permaneceram. “Carro não passa aqui de jeito nenhum, e muita gente tem medo. O meu pão veio... O menino teve que passar com a galéia de pão na cabeça”, contou a comerciante.
Para compras maiores, é preciso sair pela ponte de madeira cheia de buracos. O aposentado Ednaldo Marques de Oliveira se arriscou: “Tem que fazer compra lá fora porque aqui não tem nada. Tem que se deslocar para outro bairro vizinho, comprar alguma coisa para poder deixar reservado aqui”.
Em outra rua inundada, a dona de casa Glaziele Tavares da Silva fica na calçada em um eterno plantão: “Tem que ficar olhando para dar tempo de a gente subir os móveis. Porque enquanto ela não entra, está bom. Depois que ela entra, a gente tem que tentar salvar os móveis, subir. Há cinco dias (estou fazendo isso)”.
Nesta terça-feira, o governo federal reconheceu emergência em 23 municípios pernambucanos. O estado tem agora mais de 2 mil pessoas desabrigadas ou desalojadas. Na Zona Oeste do Recife, o Globocop flagrou ruas inundadas e um carro submerso. Em outro ponto, o Rio Tejipió transbordou novamente. Um homem improvisou um barco com uma caixa d'água para transportar objetos de trabalho.
A dona de casa Maria do Carmo da Silva, moradora do bairro de Coqueiral há mais de 40 anos, lamentou: “Não consegui nem recuperar tudo nada ainda. Já perdi sofá, cama, colchão, fogão. Em 2022... Essa agora entrou... Subiu a geladeira. O fogão ficou na água. A cama também, ficou tudo na água”.



