Um grupo de estudantes mineiros, com idades entre 14 e 18 anos, está se preparando para representar o Brasil na FIRST Championship 2026, uma das maiores competições de robótica do planeta. O evento ocorrerá entre 29 de abril e 4 de maio, em Houston, nos Estados Unidos, reunindo mais de 50 mil participantes de aproximadamente 100 países. Além da equipe de Minas Gerais, um time do Paraná também estará presente.
Equipe Amigos Droids e o robô Priscila
A equipe mineira, conhecida como Amigos Droids, levará um robô batizado de “Priscila”. O equipamento foi construído inteiramente em policarbonato, sem o uso de parafusos, e é resultado de um processo contínuo de aprimoramento, estando agora em sua 18ª versão. Entre os integrantes está Felipe Lipin Soares de Almeida, de 18 anos, morador de um distrito rural de Caeté, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.
Trajetória de Felipe Lipin
A participação de Felipe chama a atenção por sua história recente e pela forma como ingressou no mundo da robótica. Ele foi atraído por um projeto que visa aproximar estudantes da tecnologia, participou de uma competição e logo foi convidado a integrar a equipe Amigos Droids. “Quando surgiu a oportunidade, resolvi tentar. Fui aprendendo, me envolvendo, e as coisas foram acontecendo. Hoje, já começo a pensar em um futuro diferente para mim”, afirma o estudante.
Até pouco tempo, a rotina de Felipe era dividida entre a escola e o trabalho em um sítio da região. A mudança começou após sua participação na Robocopa, uma iniciativa que oferece contato com a robótica a jovens de escolas públicas estaduais em Caeté. Felipe integrou a equipe da Escola Estadual do distrito de Antônio dos Santos, que venceu a etapa municipal. Um dos diferenciais do grupo foi a criação de um robô inspirado em um trator, equipado com uma pá carregadeira, o que aumentou a eficiência nas provas e ajudou a garantir o título.
O desempenho chamou a atenção de treinadores da equipe Amigos Droids, de Belo Horizonte, que convidaram o estudante a integrar o time, que já possui títulos internacionais. Em 2026, Felipe passou a atuar como piloto do robô, função estratégica nas competições. Com ele na equipe, o grupo conquistou o Campeonato Mineiro, em Belo Horizonte, e o Campeonato Brasileiro, em São Paulo, garantindo a vaga para o mundial.
Projeto Robocopa e impacto social
A Robocopa, que marcou o início da trajetória de Felipe, é uma iniciativa do Instituto Tauá em parceria com o Instituto Amigos Droids. O projeto leva a robótica a escolas públicas e busca aproximar estudantes do universo da tecnologia. Segundo Otávio Pederçoli Rocha, presidente do Instituto Tauá, a proposta vai além da competição. “O que começou como uma iniciativa local hoje está levando um estudante de escola pública rural para um campeonato mundial. Isso mostra o potencial transformador da educação quando ela chega com oportunidade”, destaca.
Otávio ressalta que, na competição internacional, o desempenho das equipes vai além da atuação dos robôs na arena. “As instituições levam a robótica a estudantes de escolas públicas, incluindo jovens de áreas rurais, como Felipe, e esse impacto também será apresentado durante o mundial. A organização da competição avalia, por exemplo, o alcance das ações das equipes em suas comunidades”, completa o presidente.
O projeto oferece aos estudantes uma jornada de aprendizado, com acesso a kits de robótica, aulas, mentorias e desenvolvimento de projetos ao longo de cerca de dois meses. Além do conteúdo técnico, os alunos têm aulas práticas e competições. Segundo Otávio, as atividades estimulam o raciocínio lógico, o trabalho em equipe e a resolução de problemas.



