Honda terá primeiro prejuízo anual em 70 anos com crise nos veículos elétricos
Honda tem primeiro prejuízo anual em 70 anos com VE

A Honda confirmou nesta quinta-feira (14) que terá seu primeiro prejuízo anual em quase 70 anos como empresa de capital aberto, impactada por custos de reestruturação de até US$ 15,7 bilhões (cerca de R$ 77,1 bilhões) em seu negócio de veículos elétricos. A decisão ocorre em meio ao fim do apoio do governo dos Estados Unidos, sob a presidência de Donald Trump, aos veículos elétricos, forçando montadoras como Ford e Stellantis a reverem suas estratégias e registrarem baixas contábeis bilionárias.

Impacto nos planos de produção

A segunda maior montadora do Japão informou que o impacto financeiro decorre do cancelamento de três modelos de veículos elétricos planejados para produção nos EUA. Embora analistas já esperassem perdas relacionadas a veículos elétricos na Honda, a magnitude da baixa contábil surpreendeu. Julie Boote, analista de automóveis da Pelham Smithers Associates, destacou que a principal surpresa foi o cancelamento total do plano de produção nos EUA, em vez de uma redução. A Honda tinha um plano de expansão ambicioso para veículos elétricos, que foi severamente afetado pelas mudanças no mercado.

O presidente-executivo da Honda, Toshihiro Mibe, afirmou a jornalistas que a demanda por veículos elétricos caiu drasticamente, tornando muito difícil manter a lucratividade. Além disso, a montadora está reduzindo o valor de seus negócios na China, onde enfrenta dificuldades para competir com rivais como a BYD.

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Prejuízo histórico e cortes salariais

A Honda espera um prejuízo de até US$ 3,6 bilhões (R$ 17,6 bilhões) no ano fiscal que termina em março, revertendo a previsão anterior de lucro. Este será o primeiro resultado anual negativo desde que a empresa foi listada na bolsa de valores em 1957, conforme informou um porta-voz. Sob pressão de concorrentes chineses na Ásia e em outros mercados, as montadoras japonesas têm voltado sua atenção para a Índia, onde as empresas chinesas estão efetivamente excluídas, assim como nos EUA.

Mibe e o vice-presidente executivo Noriya Kaihara renunciarão voluntariamente a 30% de sua remuneração por três meses, enquanto outros executivos abrirão mão de 20%. A empresa planeja anunciar uma nova estratégia de negócios de médio a longo prazo no próximo ano fiscal.

Perdas bilionárias no setor

Várias montadoras globais registraram baixas contábeis significativas ao reduzirem suas ambições em veículos elétricos nos últimos meses. Com a perda da Honda, o total do setor chega a cerca de US$ 67 bilhões. A General Motors alertou para encargos de US$ 7,6 bilhões, a Stellantis sinalizou US$ 25 bilhões e a Ford, US$ 19 bilhões.

Além de seus principais mercados, Japão e EUA, a Honda afirmou que fortalecerá sua linha de modelos e a competitividade de custos na Índia, onde vê espaço para expansão.

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