Paciente infectada por HIV em transplante morre no Rio; laudos eram fraudulentos
Vítima de transplante com HIV morre; laudos eram fraudulentos

Paciente infectada por HIV em transplante morre no Rio de Janeiro; laudos eram fraudulentos

Uma das seis pacientes que recebeu transplante de um órgão infectado pelo vírus HIV, em outubro de 2024, faleceu no último dia 18, conforme informações confirmadas nesta quarta-feira (1º) pela Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES-RJ). A vítima era uma mulher de 64 anos e estava sob acompanhamento médico desde a confirmação da infecção. A causa da morte ainda está sendo investigada pelas autoridades de saúde.

Assistência médica e indenização

A SES-RJ lamentou profundamente a morte e informou que a paciente recebeu assistência integral desde o diagnóstico. Ela estava internada em uma unidade especializada para tratamento. “Há um ano e cinco meses, ela vinha recebendo total assistência, era monitorada diariamente pela equipe multidisciplinar da Secretaria. Em julho do ano passado, a paciente foi indenizada pelo Governo do Estado”, divulgou a nota oficial da secretaria. A instituição também afirmou que continuará a oferecer suporte psicológico aos familiares da falecida.

Caso sem precedentes e inadmissível

O episódio ocorreu em outubro de 2024, quando autoridades de saúde confirmaram que seis pacientes transplantados no estado do Rio de Janeiro foram infectados por HIV, após receberem órgãos de doadores contaminados. De acordo com a Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro e o Ministério da Saúde, dois doadores testaram positivo para o vírus, o que levou à infecção dos receptores. O caso foi classificado pelas autoridades como “sem precedentes e inadmissível”, gerando grande comoção pública e exigências por responsabilização.

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Investigações apontam laudos fraudulentos

O caso desencadeou uma série de investigações conduzidas por diferentes órgãos, incluindo o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, a Polícia Civil e o Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro. Segundo as investigações, o laboratório PCS Saleme, contratado pelo governo estadual em dezembro de 2023, por intermédio da Fundação Saúde, para realizar exames de sorologia, emitiu laudos fraudulentos. Esses documentos não acusaram a presença do HIV em órgãos de dois doadores, permitindo que os transplantes ocorressem e colocando a vida dos pacientes em risco.

Consequências e medidas tomadas

Após o caso ter sido tornado público, o laboratório PCS Saleme foi interditado pela Vigilância Sanitária estadual e o contrato com o governo do estado foi rescindido imediatamente. O escândalo também provocou a renúncia da direção da Fundação Saúde, em um movimento para tentar restaurar a confiança no sistema de saúde pública. As investigações continuam em andamento para apurar todas as responsabilidades e evitar que casos semelhantes voltem a ocorrer no futuro.

Este trágico evento levanta sérias questões sobre a segurança e a fiscalização em procedimentos médicos críticos, como transplantes de órgãos, destacando a necessidade de maior rigor nos controles e na transparência das informações para proteger a saúde da população.

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