Primeira morte por picada de escorpião em 2024 evidencia ameaça silenciosa nas áreas urbanas do Brasil
A confirmação recente da primeira morte do ano causada por picada de escorpião destaca uma ameaça que avança de forma silenciosa em diversas regiões do país, com especial foco nas áreas urbanas. Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Estadual Paulista (UNESP) revelam que o número de casos de picadas de escorpião quase triplicou entre 2014 e 2023, alcançando mais de 1,1 milhão de registros. As projeções indicam que, até 2033, esse número pode ultrapassar a marca de 2 milhões de casos notificados, apresentando um cenário extremamente desafiador para o controle do animal e para a implementação de medidas eficazes de prevenção e conscientização.
Crescimento expressivo exige ação imediata da população
Diante desse crescimento expressivo, é fundamental que a população saiba como agir corretamente em caso de acidente. A infectologista Mirian Dal Ben, do Hospital Sírio-Libanês, explica que o primeiro passo é manter a calma e lavar o local da picada com água e sabão. "Não se deve fazer torniquete, amarrar o membro afetado nem tentar chupar o veneno, como muitas vezes é divulgado de forma equivocada. Isso pode piorar a situação. O ideal, se for fazer alguma compressa, é que seja uma compressa morna, que ajuda a aliviar a dor", orienta a especialista.
Dal Ben destaca que toda picada de escorpião deve ser tratada como uma emergência em potencial, mas alguns sinais indicam a necessidade urgente de atendimento médico, com risco de morte elevado principalmente para crianças, idosos e pessoas com comorbidades cardíacas. Os sintomas de alerta incluem:
- Dor intensa no local da picada
- Suor excessivo
- Náuseas e vômitos
- Aumento da frequência cardíaca
- Agitação ou sonolência
Atendimento médico rápido é crucial, especialmente para crianças
A recomendação é sempre procurar imediatamente um serviço de saúde. "No caso das crianças, esse atendimento deve ser ainda mais rápido. Em situações graves, o soro precisa ser administrado em até uma hora e meia. Aqui em São Paulo, o principal centro de referência é o Instituto Butantan, reconhecido mundialmente, e o Hospital Vital Brazil, que faz parte dessa rede e é especializado no atendimento de vítimas de animais peçonhentos", afirma a médica.
Medidas simples de prevenção podem fazer a diferença
Segundo o Ministério da Saúde, a presença de escorpiões está relacionada, principalmente, ao acúmulo de entulho, restos de materiais de construção e presença de insetos como baratas, que servem de alimento para esses animais. O órgão indica que medidas simples de prevenção podem fazer diferença significativa, como:
- Manter terrenos limpos e sem acúmulo de lixo
- Vedação de ralos e frestas em portas e janelas
- Uso de telas em aberturas
- Cuidados com calçados e roupas guardadas
Essas ações são essenciais para reduzir os habitats favoráveis aos escorpiões e minimizar os riscos de acidentes, especialmente em ambientes urbanos onde a convivência com esses animais tem se tornado cada vez mais comum.



