Gripe ganha força no Brasil acompanhada por múltiplos vírus respiratórios
A temporada de infecções virais chegou antes do previsto neste ano, com doenças respiratórias, especialmente a gripe, em escalada significativa em diversas regiões do país. O cenário preocupante é confirmado pela edição mais recente do boletim InfoGripe, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que aponta altas nas regiões Norte, Centro-Oeste, Nordeste e Sudeste de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) causados por influenza A, vírus sincicial respiratório (VSR) e rinovírus.
Prevalência viral e impacto nas mortes
O levantamento abrange o período de 22 a 28 de março e revela uma distribuição preocupante dos vírus em circulação. A influenza A lidera com 27,4% dos casos positivos, seguida pelo rinovírus com 45,3% e o VSR com 17,7%, este último conhecido por causar pneumonia e bronquiolite. O vírus da influenza B aparece com 1,5%, enquanto o Sars-CoV-2, responsável pela Covid-19, representa 7,3% dos casos.
As mortes registradas no período foram majoritariamente atribuídas ao vírus da gripe, com 36,9% causadas pela influenza A e 2,5% pela influenza B. Esses dados destacam a gravidade da influenza A como principal agente de óbitos por infecções virais no momento, exigindo atenção redobrada das autoridades de saúde e da população.
Aumento expressivo na procura por medicamentos
A chegada precoce dos vírus respiratórios também se reflete no comportamento dos consumidores. Segundo um levantamento exclusivo compartilhado com VEJA pela Impulso, empresa vinculada à RD Saúde, houve um aumento de 44% na busca por medicamentos para doenças respiratórias entre fevereiro e março deste ano em comparação com o mesmo período de 2025.
Analisando as categorias individualmente, o antigripal lidera o crescimento com um incremento de 55%. Na sequência, aparecem os medicamentos para garganta (42%), os descongestionantes (40%) e os expectorantes (36%). Esse movimento nas farmácias evidencia a pressão exercida pela temporada viral antecipada sobre a saúde pública e o cotidiano dos brasileiros.
Vacinação como principal ferramenta de proteção
A melhor forma de evitar formas graves, hospitalizações e mortes por doenças respiratórias causadas por vírus continua sendo a vacinação. Na última semana de março, teve início a campanha nacional de vacinação contra a gripe, um mutirão direcionado para grupos prioritários. Entre eles estão crianças de 6 meses a menores de 6 anos, idosos, gestantes, pessoas imunossuprimidas e aquelas com doenças crônicas.
Profissionais de saúde e a população privada de liberdade também integram os grupos elegíveis para a imunização gratuita, que se estende até 30 de maio. Para quem está fora dessas prioridades, a vacinação está disponível na rede privada, garantindo acesso ampliado à proteção.
Medidas adicionais de prevenção e cuidados específicos
Além da vacina contra a gripe, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece proteção contra o VSR para gestantes, com doses aplicadas a partir da 28ª semana de gravidez. Crianças prematuras nascidas após agosto de 2025 e com até 24 meses que vivam com comorbidades podem receber o medicamento nirsevimabe, uma alternativa importante para esse grupo vulnerável.
É crucial lembrar que, embora a pandemia de Covid-19 tenha sido declarada encerrada, o vírus Sars-CoV-2 permanece em circulação. Recomenda-se que gestantes se vacinem em cada gravidez, enquanto idosos e imunocomprometidos devem receber duas doses com intervalo de seis meses.
Manter a higiene das mãos, utilizar máscaras em locais fechados ou com aglomeração e evitar ambientes pouco ventilados continuam sendo práticas essenciais para reduzir a transmissão dos vírus respiratórios, especialmente durante os períodos de baixas temperaturas, que favorecem a propagação desses agentes infecciosos.



