Governo isenta imposto de importação de 58 milhões de componentes para canetas emagrecedoras
Governo isenta imposto de importação de componentes para canetas emagrecedoras

Governo federal renova isenção de imposto para componentes de canetas emagrecedoras

O governo federal decidiu nesta quinta-feira (26) isentar do imposto de importação 58 milhões de componentes utilizados na fabricação de canetas emagrecedoras. A medida, aprovada pelo Comitê-Executivo da Camex (Câmara de Comércio Exterior), tem validade de 365 dias e renova um benefício já concedido à farmacêutica nacional EMS em agosto do ano passado, porém com um número significativamente maior de componentes – anteriormente eram 9,9 milhões.

Detalhes da decisão e impacto no mercado

A isenção, que antes tinha uma tarifa de 14,4%, inclui componentes como vidro, tampa e corpo da caneta, mas não o medicamento em si. Entre esses itens, a EMS solicitou a isenção para 7,4 milhões de corpos de caneta de semaglutida, o mesmo princípio ativo do Ozempic, indicando o volume de produção que a empresa planeja. O Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços) explicou que a Camex considerou as projeções de crescimento do mercado e a ausência de produção nacional do medicamento, destacando que a medida se aplica a todas as importações, não apenas às da EMS.

Posicionamento da EMS e contexto regulatório

A EMS justificou o pleito com base na inexistência de produção nacional dos insumos, afirmando que se trata de um instrumento legítimo para garantir competitividade e viabilizar a fabricação local. A empresa, que já comercializa as canetas Lirux e Olire desde 2025, pretende lançar concorrentes do Ozempic e Wegovy ainda este ano. A semaglutida perdeu a patente em 20 de março, mas nenhum novo produto foi aprovado pela Anvisa até o momento.

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Investimentos e desafios técnicos

A EMS investiu mais de R$ 1 bilhão em uma fábrica de peptídeos sintéticos em Hortolândia (SP) e recebeu créditos de R$ 736 milhões do BNDES desde 2020. A Anvisa ressaltou que a análise dos novos produtos é um desafio técnico global, pois compartilham características de medicamentos sintéticos e biológicos, e nenhuma agência reguladora importante registrou análogos sintéticos da semaglutida até agora.

Pressões e controvérsias no setor

Existe forte pressão de consumidores, indústria e políticos para ampliar a oferta e reduzir custos dos emagrecedores, embora o aumento do uso estético e de versões manipuladas preocupe associações médicas. A nota técnica da Camex recomendou uma cota de 30 milhões de unidades, mas o comitê manteve os 58 milhões solicitados pela EMS. A Anvisa tem oito pedidos de registro de produtos com semaglutida em análise, e a concorrência deve baratear as canetas, embora não sejam classificadas como genéricos.

Intervenção governamental e críticas

No ano passado, o governo Lula priorizou a análise de 20 pedidos de remédios emagrecedores, após o ministro Alexandre Padilha promover produtos da EMS. Essa medida foi criticada por entidades como Interfarma e Sindusfarma, que alertaram para riscos de insegurança jurídica e atrasos em outras avaliações. Documentos internos da Anvisa indicam que a prioridade pode retardar terapias para doenças graves, mas a agência afirma que definiu limites para evitar prejuízos e há risco de desabastecimento.

Perspectivas futuras e acesso público

O governo planeja levar o tratamento ao SUS, com uma parceria entre EMS e Fiocruz para transferir tecnologia de produção. Inicialmente, a incorporação foi barrada por custos bilionários, mas a iniciativa busca ampliar o acesso e internalizar a fabricação no Brasil.

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