Dourados enfrenta surto de chikungunya com mortes suspeitas e alta incidência em aldeias indígenas
O município de Dourados, em Mato Grosso do Sul, está em alerta com a investigação de duas novas mortes suspeitas por chikungunya, registradas no dia 3 de abril. As vítimas são um adolescente de 12 anos e um homem de 55 anos, ampliando a preocupação das autoridades de saúde diante de um cenário já crítico. Até o momento, a cidade contabiliza cinco mortes confirmadas pela doença, transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, e observa um aumento expressivo no número de infecções, com foco particular nas comunidades indígenas aldeadas.
Dados alarmantes revelam gravidade da situação
Segundo dados divulgados pela Secretaria Municipal de Saúde, Dourados soma 2.733 casos prováveis de chikungunya. Desse total, 1.365 foram confirmados, 469 descartados e 1.837 seguem em investigação, totalizando 3.671 notificações. A maior parte dos casos ocorre em aldeias indígenas, onde todas as mortes confirmadas e as que ainda são investigadas foram registradas. Nessas comunidades, já são 1.608 casos prováveis, com 1.115 confirmações e 227 atendimentos hospitalares relacionados à doença.
Outro indicador que preocupa as autoridades é a taxa de positividade, que atingiu 74,42%. Isso significa que, entre as pessoas com sintomas testadas, a maioria teve resultado positivo para chikungunya, refletindo a rápida disseminação do vírus nessas áreas vulneráveis.
Força-tarefa reforça ações para conter avanço da doença
Diante do aumento dos casos, o Ministério da Saúde iniciou uma força-tarefa para conter o avanço da chikungunya nos territórios indígenas de Dourados. Como parte das ações, 50 novos agentes de combate às endemias devem atuar exclusivamente nas aldeias. Os primeiros 20 profissionais começaram as atividades no sábado (4), e os outros 30 chegam ao longo do fim de semana, iniciando o trabalho de campo na segunda-feira (6).
Além das medidas de saúde, o Governo Federal também inicia, na segunda-feira (6), a distribuição de 2 mil cestas de alimentos às comunidades indígenas. A meta é entregar 6 mil unidades até junho, em ação conjunta com a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), o Ministério do Desenvolvimento Social (MDS), a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e a Defesa Civil.
Reforço na assistência à saúde indígena nos próximos meses
O reforço na assistência à saúde indígena deve continuar nos próximos meses. A Secretaria de Saúde Indígena (Sesai) informou que, a partir de maio, 102 novos profissionais serão incorporados ao Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) em Mato Grosso do Sul, visando melhorar a capacidade de resposta e cuidado nas comunidades afetadas.
Essas iniciativas buscam mitigar os impactos do surto, que tem colocado em risco a população indígena, destacando a necessidade de ações integradas e sustentáveis para enfrentar doenças transmitidas por vetores como o Aedes aegypti.



