Um filhote de pinscher foi resgatado de dentro de uma lixeira em Boituva, interior de São Paulo, no dia 12 de março. O ativista Iran Francisco Bispo, responsável pelo resgate, registrou um boletim de ocorrência nesta quinta-feira (7) para relatar o caso de abandono e maus-tratos.
Segundo Iran, que atua na proteção animal na cidade, o cão foi retirado do lixo e levado imediatamente ao veterinário. Durante o tratamento, o animal começou a expelir vermes, pedaços de esponja de aço e até parafusos, evidenciando a gravidade dos maus-tratos sofridos.
Suspeita de comercialização ilegal
No boletim de ocorrência, Iran afirmou que a mulher suspeita de abandonar o animal comercializava cães da mesma raça sem autorização e em condições inadequadas. A Polícia Civil de Boituva investiga o caso.
Ao relembrar o momento do resgate, Iran descreveu a emoção ao encontrar o filhote extremamente pequeno e debilitado dentro da lixeira. "Confesso que a minha reação ao ver aquele cachorrinho abandonado no lixo foi devastadora. Foi uma sensação muito difícil de explicar, misto de tristeza, revolta e indignação. Naquele momento, a única pergunta que vinha na minha cabeça era: como um ser humano consegue chegar a esse ponto?", questiona.
O protetor destacou que o Pinscher estava com a saúde debilitada, muito magro, chorando e necessitando de atendimento veterinário urgente. "Era impossível olhar para aquela situação e não se emocionar. Foi algo que realmente mexeu comigo de uma forma diferente", disse.
Nova chance de vida
Ainda na mesma semana do resgate, uma amiga de Iran se ofereceu para adotar o filhote. A zootecnista e veterinária Cláudia Montalvão Cacau, que também atua na causa animal, decidiu dar um novo lar ao cão assim que conheceu a história dele.
"Apesar de toda a crueldade que ele sofreu, hoje, olhando para ele saudável, amado e em um lar seguro, isso me mostra que nunca podemos desistir", afirmou Cláudia.
A nova tutora improvisou uma espécie de "UTI" em casa para tratar o cão adequadamente. Após cerca de 20 dias de cuidados intensivos, o animal começou a apresentar melhora. "Ele chegou em casa com muita febre, extremamente desidratado. Mesmo no calor, sentia frio por causa da febre. Durante a noite, eu fazia aspiração no narizinho dele para que não morresse sufocado com o próprio catarro. Ele quase não tinha pelos, estava sem cor, com a gengiva muito branca. Foi uma batalha, mas nós vencemos", relembra.
O pequeno pinscher recebeu o nome de Rodolfinho e hoje vive ao lado de outros seis animais na casa da tutora. "Falar dele é uma emoção muito grande. Acho que foi um dos casos mais difíceis. Ele continua pequenininho, mas está recuperado", disse a tutora.
Em imagens compartilhadas por Cláudia, o filhote aparecia, na época do resgate, visivelmente abaixo do peso ideal. Após ser acolhido, Rodolfinho passou a viver uma nova realidade, cercado pelo carinho da família, conforto e a companhia de outros cães. "O resgate foi uma nova chance de vida. Uma lição de amor, e espero que essa história sirva de motivação para muitas pessoas", relatou a tutora.



