Jovem paraplégica recebe tratamento inédito com polilaminina no Tocantins
A jovem Sindy Mirela Santos Silva, de 21 anos, recebeu um tratamento experimental inédito no Tocantins, com o objetivo de recuperar movimentos perdidos após uma lesão na medula espinhal. O procedimento foi realizado nesta quinta-feira, 2 de maio, no Hospital Geral de Palmas (HGP), envolvendo a aplicação de uma substância chamada polilaminina. Esta intervenção traz uma nova esperança para a família, após meses de incerteza e desafios.
História de superação e expectativas
Sindy ficou paraplégica em janeiro deste ano, após sofrer um grave acidente de carro. Emocionada, ela compartilhou que o procedimento pode abrir portas para outras pessoas em situações semelhantes. "Para mim, foi como estar me afogando e passar um navio para me tirar de lá, porque a gente tem muita expectativa. Meu sentimento hoje é de gratidão, primeiramente, a Deus. Ser a primeira do Tocantins, eu acredito, vai abrir portas para que outras pessoas também tenham acesso", afirmou a jovem.
A mãe de Sindy, Ledjane Bezerra da Silva, esteve ao lado da filha durante o tratamento no HGP, demonstrando apoio e fé no processo. A família aguarda ansiosamente pelos resultados, que podem significar uma melhora significativa na qualidade de vida de Sindy.
Detalhes do procedimento médico
A substância foi injetada diretamente no local da lesão, no setor de hemodinâmica do HGP. Para garantir precisão máxima, os médicos utilizaram tecnologias de imagem avançadas, como raio-X. Segundo o neurocirurgião responsável, Luiz Felipe Lobo Ferreira, o método é simples e pouco agressivo para o paciente.
"A aplicação é feita com a paciente de lado, com sedação leve e sem necessidade de cortes. Utilizamos uma injeção diretamente na coluna, guiada por imagem, para alcançar exatamente a área da lesão na medula", detalhou o médico.
Pesquisa e desenvolvimento da polilaminina
O médico Arthur Luiz Freitas Forte integra a equipe da pesquisadora Tatiana Sampaio, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), criadora da substância. Ele explicou que a polilaminina serve para proteger e recuperar os tecidos da medula espinhal.
"O que conseguimos foi transformar essa proteína em uma forma estável, que pode atuar na regeneração dos neurônios lesionados e também proteger as células que ainda estão viáveis. A expectativa não é falar em cura, mas em melhora da qualidade de vida, com possíveis ganhos de movimento, controle corporal e independência", detalhou Forte.
A polilaminina é uma versão sintética da laminina, uma proteína que o corpo humano já produz naturalmente para organizar o sistema nervoso. O estudo teve início há quase 30 anos na UFRJ, e a substância ajuda a recuperar os axônios, que funcionam como uma "ponte" para transmitir informações entre os neurônios.
Impacto e perspectivas futuras
Este tratamento representa um marco na medicina do Tocantins, podendo influenciar futuras abordagens para lesões medulares em todo o Brasil. A aplicação de polilaminina no HGP destaca a importância de investimentos em pesquisa e inovação na saúde pública.
Enquanto Sindy e sua família aguardam os resultados, a comunidade médica e científica acompanha de perto os desenvolvimentos, na esperança de que este caso pioneiro traga avanços significativos para a recuperação de pacientes com condições similares.



