Estudante autista realiza sonho ao conhecer funcionamento do metrô do Rio de Janeiro
Nathan Ferreira, um estudante de 10 anos diagnosticado com autismo e Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), viveu um momento especial ao explorar o sistema metroviário do Rio de Janeiro. Com acompanhamento especializado, o menino demonstra uma paixão profunda pelo metrô, enxergando além do transporte: ele vê história, funcionamento e bastidores que fascinam sua curiosidade.
Visita técnica emocionante ao coração do metrô
Recentemente, Nathan teve a oportunidade única de conhecer a estrutura interna do metrô carioca e acompanhar de perto o trabalho dos maquinistas. Durante a visita, impressionou a todos com sua riqueza de detalhes ao descrever um dos trens mais novos em operação. “Este foi fabricado na China. Primeiro, colocaram para fazer testes. Depois, foi transportado em um navio e, em seguida, em um caminhão. Quando chegou ao Rio, trouxeram para a Cidade Nova em uma operação especial de trânsito, feita durante a madrugada, até colocarem ele em operação aqui”, explicou o estudante com precisão técnica surpreendente.
O interesse de Nathan pelo metrô é tão intenso que o tema de sua última festa de aniversário, realizada no ano passado, foi justamente o sistema de transporte. Segundo sua mãe, Lucivalda Ferreira, a paixão começou há cerca de três anos, quando o filho passou a usar o metrô com mais frequência para ir às consultas com a psicóloga. “Desde então, ele começou a pesquisar tudo: o que é o metrô, como ele anda, como funciona, quem faz a manutenção e onde ele é consertado quando quebra. Ele me perguntava onde termina, qual é o ponto final, quem trabalha ali dentro. E eu dizia: ‘meu filho, eu não sei’”, relatou a mãe com carinho.
Reconhecimento e aprendizado mútuo
A história de Nathan chegou ao conhecimento do Metrô Rio, que o convidou para uma visita técnica exclusiva. Ele conheceu o Centro de Controle Operacional, responsável por monitorar todo o sistema em tempo real, e ainda tirou uma foto com o presidente da empresa, Guilherme Ramalho. No entanto, o que mais encantou o menino foi o simulador usado no treinamento dos maquinistas.
Robson Castro, instrutor de treinamento do Metrô Rio, ficou impressionado com o conhecimento do estudante. “Eu posso dizer que aprendi com ele. Nathan comentou coisas que eu já tinha esquecido. Ele conhece muito bem o sistema, e isso é emocionante para mim”, afirmou o profissional, destacando a troca de experiências valiosa.
Hiperfoco como ferramenta de desenvolvimento
A psicóloga que acompanha Nathan, Dayane Leitão, explica que é comum crianças autistas desenvolverem o chamado hiperfoco, caracterizado por uma dedicação intensa e profunda a temas específicos de interesse. “No caso, não se tira o hiperfoco da criança. A gente trabalha a partir dele. Usamos esse interesse para desenvolver o aspecto social e ampliar outros temas, ajudando a criança a falar sobre diferentes assuntos”, esclareceu a especialista.
Lucivalda busca estimular Nathan em diversas atividades além da escola regular. Ele participa de curso pré-militar, natação e jiu-jitsu, mas, pelo menos por enquanto, o metrô segue como a grande paixão do menino. Essa experiência não só realizou um sonho pessoal, mas também destacou a importância de incluir e valorizar as habilidades únicas de crianças com autismo, transformando um interesse profundo em uma oportunidade de aprendizado e conexão social.



