Furp é extinta e atribuições passam para Instituto Butantan
Furp extinta: atividades transferidas para Butantan

Os deputados estaduais de São Paulo tomaram uma decisão histórica nesta terça-feira (11) ao aprovar o projeto de lei complementar que extingue a Fundação para o Remédio Popular (Furp). As atividades da fundação serão agora incorporadas pelo Instituto Butantan, em uma medida que promete reestruturar a produção de medicamentos para o Sistema Único de Saúde (SUS) no estado.

Detalhes da aprovação e mudanças no projeto

A votação foi simbólica e trouxe alterações significativas em relação ao texto original enviado pelo governo. Duas importantes modificações foram incluídas: a alienação dos imóveis da Furp foi retirada do texto final, assim como as demissões dos funcionários.

A fundação possui duas fábricas estratégicas: uma em Guarulhos, inaugurada em 1984 com 200 mil metros quadrados, e outra em Américo Brasiliense, construída em 2009 com 268 mil metros quadrados. Qualquer decisão envolvendo esse patrimônio físico agora dependerá de projeto de lei específico.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Os 490 funcionários da Furp serão transferidos para a Secretaria de Estado da Saúde, garantindo a manutenção de seus empregos durante essa transição.

Justificativas e preocupações

Na justificativa do projeto, o secretário estadual da Saúde, Eleuses Paiva, argumentou que a extinção busca "eficiência dos gastos públicos e redução de despesas correntes". Ele apresentou dados alarmantes: entre 2011 e 2023, a Furp acumulou déficit de R$ 395 milhões, com média anual de R$ 30 milhões negativos.

Porém, a oposição manifestou sérias preocupações. O deputado Donato (PT) lembrou a importância estratégica da Furp durante a pandemia de Covid-19, quando houve escassez de insumos. "É absolutamente estratégico para nosso país e nosso estado produzir remédios", defendeu o parlamentar.

Donato destacou ainda a diferença de missão entre as duas instituições: "O Instituto Butantan tem missão preventiva - a de prevenção de vacinas - enquanto a Furp tem missão curativa com a produção de remédios".

A deputada Mônica Seixas (PSOL) expressou preocupação semelhante, alertando que o Butantan pode priorizar a produção de vacinas em detrimento de medicamentos essenciais que só a Furp produz atualmente.

Medicamentos em risco e importância da Furp

A parlamentar citou exemplos concretos de medicamentos que podem ser afetados: um coquetel contra HIV/Aids de maior qualidade que o oferecido no mercado e um medicamento contra tuberculose muito mais barato que as versões comerciais.

Mônica Seixas alertou que "vai tornar mais caro para o governo do estado comprar do mercado se parar de produzir" esses medicamentos estratégicos.

A Furp funciona como laboratório público do governo de São Paulo, com objetivo de suprir lacunas no abastecimento e oferta de remédios a preços acessíveis. Suas duas fábricas produzem comprimidos, cápsulas, cremes, pomadas e injetáveis que abastecem todo o país por meio do SUS.

O g1 procurou o Instituto Butantan para responder aos pontos levantados pelos parlamentares da oposição, mas ainda não obteve retorno. O texto será atualizado assim que houver resposta.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar