Pedro da Lua completa 40 dias na prefeitura de Macapá após afastamento por suspeitas de corrupção
O prefeito interino de Macapá, Pedro da Lua (União Brasil), completa 40 dias no cargo nesta terça-feira (14), após assumir a gestão municipal em meio a uma crise política e administrativa. Em discurso na Câmara Municipal, o gestor afirmou que enfrentou dificuldades significativas no transporte coletivo, na coleta de lixo, em obras paradas e na falta de medicamentos em postos de saúde.
Contexto do afastamento
Pedro da Lua assumiu a prefeitura depois que o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), afastou o então prefeito Dr. Furlan (PSD) e seu vice, Mário Neto. A decisão ocorreu em meio à Operação Paroxismo, que investiga suspeitas de fraude e desvio de recursos da saúde municipal. De acordo com a Polícia Federal, o grupo teria manipulado licitações para obter vantagens em contratos milionários, com destaque para a construção do Hospital Geral Municipal de Macapá, orçado em cerca de R$ 70 milhões.
Após o afastamento, Dr. Furlan renunciou ao mandato em ofício enviado à Câmara Municipal, alegando que a decisão atende a exigências legais para disputar o governo do Amapá nas eleições de 2026. O g1 procurou o ex-prefeito para comentar as acusações, mas não obteve resposta até a última atualização desta reportagem.
Desafios na gestão interina
Em entrevista ao g1, Pedro da Lua declarou que trabalha "para que a população tenha os serviços essenciais garantidos" durante o período interino. "É importante mostrar para a sociedade como nós encontramos a prefeitura, o que nós estamos fazendo e, nesses próximos dias, o que nós queremos fazer para garantir à população o menor impacto possível em relação à instabilidade política", afirmou o prefeito.
Os principais pontos da gestão interina incluem:
- Zeladoria urbana: A coleta de lixo estava irregular desde setembro de 2025, preocupando moradores principalmente durante o período de chuvas. Da Lua afirma que o serviço foi normalizado com reforço na limpeza de conjuntos habitacionais, mas os atrasos ocorreram por falta de pagamento à empresa responsável e redução da frota de caminhões em manutenção.
- Saúde: O prefeito apontou falta de estrutura e medicamentos em postos de saúde, com abastecimento em processo de regularização. Ele criticou a gestão anterior por deixar unidades com material deteriorado e sem apoio logístico adequado.
- Transporte público: Ao assumir, Da Lua enfrentou risco de paralisação do transporte coletivo por falta de repasse de recursos, com a empresa responsável alegando dificuldades financeiras e um passivo de quase R$ 15 milhões.
- Infraestrutura: Obras em escolas e unidades de saúde foram retomadas, enquanto no asfaltamento, as ações estão focadas em tapa-buracos devido às chuvas, com a prefeitura emitindo ordens de serviço para manutenção viária prioritária.
Investigação em andamento
A Operação Paroxismo continua apurando se parte dos recursos destinados às obras de saúde foi desviada e lavada por meio de movimentações financeiras irregulares. Há suspeitas de que o projeto do hospital municipal tenha sido usado para enriquecimento ilícito de agentes públicos e empresários, o que levou ao afastamento dos anteriores gestores.
Pedro da Lua criou um gabinete emergencial para avaliar as finanças da prefeitura, enfatizando a necessidade de ter a administração sob controle. "É difícil resolver algo que se arrasta há meses. Demos um ultimato à empresa. Não quero tirar ninguém, podemos até renovar o contrato, mas precisamos de respostas", disse sobre a coleta de lixo, refletindo a postura de enfrentar os problemas herdados.
Com a gestão interina buscando estabilizar os serviços essenciais, a população de Macapá aguarda os desdobramentos das investigações e as próximas ações municipais para mitigar os impactos da instabilidade política recente.



