Supremo Tribunal Federal revoga afastamento do prefeito 'tiktoker' de Sorocaba
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Kassio Nunes Marques, determinou nesta terça-feira (31) a suspensão do afastamento do prefeito de Sorocaba (SP), Rodrigo Manga (Republicanos), decretado no contexto da Operação Copia e Cola. A decisão, que ainda cabe recurso, representa uma reviravolta significativa no caso que investiga supostos esquemas de corrupção na área da saúde municipal.
Retorno imediato ao cargo ou preparação para 2026
Conforme informações apuradas pela TV TEM, Rodrigo Manga deve reassumir o comando da prefeitura já na tarde desta quarta-feira (1º). Seu advogado de defesa, Daniel Bialski, confirmou que o STF notificou formalmente o Tribunal Regional Federal (TRF-3) e a administração municipal sobre a revogação da medida cautelar.
A assessoria do político reforçou que, diante da nova situação, Manga agora terá de decidir entre retornar efetivamente ao exercício do cargo ou optar pela descompatibilização para poder concorrer às eleições de 2026. O prefeito, que ficou conhecido nacionalmente como "tiktoker" por viralizar vídeos nas redes sociais, comemorou publicamente a decisão: "Mais uma vez, o STF mostra-se defensor dos direitos políticos e do povo", afirmou.
Fundamentação jurídica da decisão do STF
Na sua decisão, o ministro Kassio Nunes Marques argumentou que o afastamento representava uma "intervenção excessiva na esfera política e administrativa do município de Sorocaba". O habeas corpus impetrado pela defesa já havia sido analisado anteriormente pelo TRF-3 e pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), que mantiveram a medida cautelar de afastamento por 180 dias.
Agora, ao reverter essa determinação, o STF também restaurou a permissão de acesso de Manga aos edifícios oficiais. Em nota oficial, a defesa do prefeito celebrou: "Efetivamente, a Suprema Corte, guardiã da Constituição Federal, reconheceu a inexistência de razões e fundamentos para a manutenção do afastamento temerário e precipitado".
Contexto da Operação Copia e Cola
A Operação Copia e Cola investiga denúncias de corrupção em contratos da saúde pública em Sorocaba. As investigações tiveram início após o prefeito ser citado em um caso similar no Rio Grande do Sul. Rodrigo Manga foi afastado do cargo no dia 6 de novembro de 2025, durante a segunda fase das diligências da Polícia Federal.
Durante o período de quase cinco meses em que esteve afastado, o vice-prefeito Fernando Martins (PSD) assumiu interinamente a administração municipal. As investigações continuam em andamento, mesmo após o oferecimento de denúncia pelo Ministério Público Federal (MPF).
Alvos e desdobramentos da investigação
Além do próprio prefeito, a operação tem como alvos:
- Ex-secretários municipais de Sorocaba
- Empresários do setor da saúde
- A esposa de Rodrigo Manga
- A irmã do prefeito e seu marido, um bispo evangélico
Todos esses investigados foram alvos de medidas de busca e apreensão durante o curso das investigações. O esquema supostamente desvendado pela operação era dividido em três núcleos distintos de atuação.
Trajetória política do prefeito 'tiktoker'
Rodrigo Manga, cujo apelido vem de uma variação do sobrenome Maganhato, assumiu a Prefeitura de Sorocaba em 2021 após vencer as eleições municipais de 2020. Antes disso, cumpriu dois mandatos como vereador na cidade. Quatro anos depois, foi reeleito no primeiro turno das eleições de 2024 com impressionantes 73,75% dos votos válidos, totalizando mais de 263 mil votos.
Sua popularidade nas redes sociais explodiu quando começou a produzir vídeos com tom de humor sobre a cidade e as obras de seu governo, ganhando o apelido de "prefeito tiktoker". Antes da carreira política, Manga já era conhecido em Sorocaba como vendedor de veículos em programas de televisão local. Formado em marketing, sua transição do mundo das vendas para a política municipal foi marcada por uma comunicação direta e informal com a população.
A decisão do STF não encerra as investigações da Operação Copia e Cola, mas altera significativamente o cenário político em Sorocaba enquanto os processos judiciais seguem seu curso normal. O caso continua a ser acompanhado de perto pelas instituições de controle e pela população da cidade.



