STF derruba lei de SC que proibia cotas raciais em universidades públicas
STF derruba lei de SC que proibia cotas raciais

Supremo Tribunal Federal derruba lei de Santa Catarina que proibia cotas raciais em universidades

Em decisão unânime histórica, o plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) derrubou nesta sexta-feira (17) a lei de Santa Catarina que proibia a reserva de cotas raciais para ingresso de estudantes em instituições de ensino que recebem verbas públicas do estado. A votação ocorreu no plenário virtual da Corte e foi finalizada com placar de 10 votos a 0, consolidando um marco na defesa das ações afirmativas no Brasil.

Contexto da lei e reações políticas

O julgamento analisou ações protocoladas pelo PSOL, PT, PCdoB e o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), que questionavam a constitucionalidade da Lei 19.722 de 2026. Esta norma, aprovada pela Assembleia Legislativa catarinense e sancionada pelo governador Jorginho Mello, permitia a reserva de vagas somente para pessoas com deficiência, alunos oriundos de escolas públicas ou com base em critérios exclusivamente econômicos, excluindo explicitamente o critério étnico-racial.

Jorginho Mello, governador bolsonarista de Santa Catarina, havia louvado a medida, gerando ampla controvérsia e acusações de retrocesso nas políticas de inclusão social. A decisão do STF representa uma reafirmação do compromisso constitucional com a igualdade material e a reparação histórica das desigualdades raciais.

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Fundamentação jurídica e votação dos ministros

O relator, ministro Gilmar Mendes, abriu o julgamento na sexta-feira (10) deixando claro que a Corte já reconheceu a constitucionalidade das ações afirmativas. "Não há dúvidas quanto à constitucionalidade, em abstrato, das ações afirmativas baseadas em critérios étnico-raciais", afirmou em seu voto, que foi seguido pelos ministros Flávio Dino, Alexandre de Moraes, Dias Toffoli, Cristiano Zanin, Edson Fachin e Cármen Lúcia.

Os três últimos votos foram proferidos nesta sexta-feira pelos ministros Luiz Fux, Nunes Marques e André Mendonça, fechando a unanimidade. A decisão baseia-se no entendimento consolidado de que políticas de cotas raciais são instrumentos legítimos e necessários para combater o racismo estrutural e promover a diversidade no ensino superior.

Impacto e dados sobre eficácia das cotas

Dados do Censo da Educação Superior mostram que 49% dos estudantes que ingressaram por meio da reserva de vagas em universidades federais concluíram a graduação, evidenciando a eficácia das políticas de inclusão. A derrubada da lei catarinense assegura que milhares de estudantes negros e indígenas terão acesso equitativo à educação pública no estado, alinhando Santa Catarina às diretrizes nacionais.

Esta decisão reforça o papel do STF como guardião da Constituição e dos direitos fundamentais, enviando um forte recado contra tentativas de retrocesso em políticas afirmativas. O caso também destaca a importância da mobilização social e jurídica, com entidades como a OAB e partidos políticos atuando em defesa da igualdade racial.

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