União Europeia substitui carimbo de passaporte por sistema digital de fronteiras
Acabou oficialmente a era do carimbo manual nos passaportes para viajantes que ingressam na União Europeia. Desde esta sexta-feira (10), o novo sistema digital de controle de fronteiras tornou-se a única opção disponível para entrada no bloco europeu, marcando uma transformação histórica nos procedimentos de imigração.
Como funciona o novo sistema
Ao desembarcar em países do espaço Schengen, que garante livre circulação dentro da União Europeia, passageiros provenientes de nações externas ao bloco – tanto aqueles com visto quanto sem visto – agora devem escanear seus documentos em totens de autoatendimento. Este procedimento inovador permite o registro completo de dados biométricos, incluindo impressões digitais e imagem facial dos viajantes.
Após completar o registro digital, os passageiros ainda passam pela verificação final dos agentes de imigração, mas o processo tradicional de carimbagem manual foi completamente eliminado. Segundo a Comissão Europeia, o tempo médio para registro de um viajante é de apenas 70 segundos, representando uma significativa agilização nos controles fronteiriços.
Objetivos e implementação
Este novo sistema foi desenvolvido com três objetivos principais: modernizar e acelerar os controles nas fronteiras, prevenir a imigração irregular e reforçar substancialmente a segurança em toda a União Europeia. A implementação começou de forma gradual em outubro de 2025, causando inicialmente longas filas e horas de espera em aeroportos importantes como o de Lisboa, em Portugal.
A Comissão Europeia informou que, desde o início da implementação, mais de 27 mil pessoas tiveram sua entrada recusada no bloco europeu, incluindo aproximadamente 700 indivíduos considerados uma ameaça direta à segurança. Paralelamente, o sistema já registrou impressionantes 52 milhões de entradas e saídas, demonstrando sua capacidade operacional em larga escala.
Dados coletados e monitoramento
Substituindo definitivamente os carimbos manuais, o novo sistema digital registra informações cruciais como:
- Dados de contato completos dos viajantes
- Informações biométricas detalhadas
- Datas exatas de entrada e saída
- Histórico completo de movimentações
Esta coleta abrangente de dados permite às autoridades europeias monitorar com precisão permanências ilegais e recusas de entrada, criando um banco de informações muito mais robusto que o sistema anterior.
Quem está sujeito ao novo sistema
A medida aplica-se especificamente a cidadãos de países localizados fora da União Europeia, o que inclui todas as nações que não fazem parte dos 27 Estados-Membros do bloco. Além disso, também estão sujeitos ao sistema viajantes provenientes da Islândia, Liechtenstein, Noruega e Suíça, mesmo que esses países mantenham acordos especiais com a UE.
Importante destacar que as únicas exceções a esta nova regra são a Irlanda e Chipre, que mantêm sistemas diferenciados de controle de fronteiras.
Diferença em relação ao ETIAS
É fundamental esclarecer que este novo sistema de controle de fronteiras não deve ser confundido com o Sistema Europeu de Informação e Autorização de Viagens (ETIAS), que consiste em uma autorização eletrônica de viagem prévia. O ETIAS está programado para implementação apenas no final de 2026, funcionando como uma camada adicional de segurança antes mesmo da chegada dos viajantes às fronteiras europeias.
A implementação completa deste sistema digital representa um marco na evolução dos controles fronteiriços da União Europeia, alinhando os procedimentos de imigração com as tecnologias mais avançadas disponíveis no século XXI.



