Como a imprevisibilidade de Trump impulsiona aliados dos EUA para os braços da China
Trump empurra aliados para China com imprevisibilidade

Aliados históricos dos EUA buscam estabilidade na China diante da imprevisibilidade trumpista

Quando Donald Trump assumiu a presidência dos Estados Unidos há um ano, sua promessa de conter o crescimento chinês parecia anunciar tempos difíceis para a segunda maior economia mundial. Contudo, o cenário que se desenhou foi diametralmente oposto às previsões iniciais.

Paradoxo político: as políticas americanas que fortalecem Pequim

Enquanto as medidas protecionistas e tarifárias implementadas por Washington tensionam relações com parceiros tradicionais, a China registrou números econômicos impressionantes em 2025. O superávit comercial alcançou a marca histórica de US$ 1,2 trilhão, equivalente à metade de todo o Produto Interno Bruto brasileiro.

As entradas mensais de divisas atingiram US$ 100 bilhões, estabelecendo outro recorde significativo. Paralelamente, o uso global do yuan se expandiu consideravelmente, com mais da metade das transações transfronteiriças chinesas sendo liquidadas na moeda local - um avanço extraordinário considerando que, há apenas quinze anos, esse percentual era praticamente zero.

Reino Unido: uma mudança estratégica após anos de tensão

Nesta quarta-feira, 28 de janeiro de 2026, o primeiro-ministro britânico Keir Starmer desembarcou em Pequim para uma visita de quatro dias, marcando o retorno de um líder do Reino Unido à China após oito anos de ausência. Esta movimentação representa uma guinada diplomática significativa, considerando os recentes atritos entre as nações.

As relações sino-britânicas enfrentaram consideráveis desafios nos últimos anos devido a múltiplos fatores:

  • A repressão política implementada por Pequim em Hong Kong, território que manteve sistemas democráticos sob administração britânica
  • O apoio chinês à Rússia no contexto do conflito ucraniano
  • Alegações persistentes sobre atividades de espionagem chinesa em solo britânico

Apesar desses obstáculos, Starmer busca revitalizar os laços comerciais, indicando uma priorização pragmática de interesses econômicos.

Canadá e Índia: realinhamentos estratégicos em curso

O Reino Unido não está sozinho nesta reorientação diplomática. No início de janeiro, o primeiro-ministro canadense Mark Carney visitou Pequim, onde assinou um acordo abrangente para eliminar barreiras comerciais e estabelecer uma nova relação estratégica. Carney descreveu a China como "um parceiro mais previsível e confiável", em clara referência implícita à instabilidade das relações com Washington.

Da mesma forma, a Índia e a China conseguiram superar décadas de rivalidade geopolítica para priorizar cooperação comercial e tecnológica. Em setembro de 2025, o primeiro-ministro Narendra Modi viajou à China para participar de uma cúpula regional, onde se reuniu com Xi Jinping e estabeleceu compromissos concretos.

Entre os acordos firmados destacam-se:

  1. Abertura de voos diretos entre os dois países
  2. Expansão significativa do comércio bilateral
  3. Cooperação em áreas tecnológicas estratégicas

Este movimento indiano ocorreu logo após a Casa Branca impor tarifas de 50% sobre importações provenientes da Índia, justificando a medida com alegações de que Nova Délhi estaria financiando indiretamente o conflito ucraniano através da compra de petróleo russo.

Expansão econômica chinesa: diversificação bem-sucedida

Enquanto as exportações chinesas para os Estados Unidos caíram 20% em 2025 devido às guerras tarifárias, Pequim conseguiu compensar essas perdas com crescimento impressionante em outros mercados:

  • África: aumento de 25,8% nas exportações
  • América Latina: crescimento de 7,4%
  • Sudeste Asiático: expansão de 13,4%
  • União Europeia: alta de 8,4%

A China não apenas atingiu sua meta de crescimento de 5%, como implementou medidas agressivas para atrair investimento estrangeiro. Programas piloto em Pequim e Xangai abriram novos mercados em setores como telecomunicações, saúde e educação.

As reservas cambiais oficiais alcançaram US$ 3,36 trilhões, o maior patamar em uma década, enquanto o índice de Xangai subiu 27% no último ano, superando o desempenho das bolsas americanas.

Conclusão: um novo equilíbrio de poder global

Ao consolidar-se como uma alternativa estável em meio à imprevisibilidade das políticas comerciais americanas, a China transformou desafios em oportunidades estratégicas. Com uma economia de US$ 20 trilhões e mercados financeiros avaliados em US$ 45 trilhões, Pequim oferece aos parceiros internacionais uma opção que combina escala econômica com previsibilidade política.

Este realinhamento geopolítico, impulsionado pelas políticas de Donald Trump, está redefinindo as alianças globais e fortalecendo a posição da China como potência econômica e política incontornável no cenário internacional do século XXI.