Ex-secretária de Segurança Interna de Trump é demitida após polêmica campanha anti-imigração
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, demitiu na quinta-feira, 5 de março, sua então secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, conhecida como o rosto das duras operações de imigração conduzidas pela Agência de Imigração e Fronteiras (ICE). A decisão ocorreu após uma série de controvérsias, incluindo uma campanha publicitária de alto custo que se tornou o estopim para sua saída do cargo.
Campanha publicitária de US$ 220 milhões gera críticas
A campanha, com custo total de US$ 220 milhões (aproximadamente R$ 1,15 bilhão), consistia na divulgação de peças publicitárias que tentavam convencer imigrantes em situação irregular nos Estados Unidos a deixar o país voluntariamente e dissuadir estrangeiros de entrarem ilegalmente. Kristi Noem estrelou grande parte desses materiais, aparecendo em vídeos com chapéu de cowboy montada em um cavalo, onde afirmava: "Se você tentar entrar nos Estados Unidos ilegalmente, nós te encontraremos".
As propagandas foram veiculadas através de múltiplos canais, incluindo cartazes, anúncios em rádio, televisão e internet, além de telões em aeroportos pedindo a autodeportação. As operações de imigração sob seu comando já haviam gerado uma chuva de críticas, inclusive da base de apoio de Trump, provocando manifestações e resultando na morte de dois cidadãos norte-americanos em Minneapolis.
Questionamentos no Congresso sobre contratos milionários
Durante depoimento ao Congresso norte-americano na mesma quinta-feira, deputados tanto da oposição quanto da base de Trump questionaram Noem sobre o alto custo da campanha e a natureza dos contratos firmados. O deputado democrata Joe Neguse destacou que o Departamento de Segurança Interna ofereceu o contrato a apenas quatro empresas, sem realizar um processo de licitação padrão.
Uma investigação da agência Associated Press revelou que duas dessas empresas têm ligações com operadores do Partido Republicano:
- Safe America Media: aberta em Delaware apenas uma semana antes de ganhar o contrato, recebeu US$ 143 milhões.
- People Who Think: com sede na Louisiana, recebeu US$ 77 milhões.
O Departamento de Segurança Interna alegou que a concorrência limitada era justificada pela ameaça urgente da imigração ilegal, enquanto Noem defendeu que o processo foi "competitivo" e "feito corretamente".
Contradições sobre aprovação de Trump levam à demissão
No depoimento, Kristi Noem afirmou que Donald Trump havia aprovado pessoalmente o valor de US$ 220 milhões para a campanha. Quando questionada pelo senador John Kennedy se o presidente autorizou antecipadamente os gastos, ela respondeu: "Sim, senhor. Seguimos os trâmites legais e fizemos tudo corretamente".
No entanto, horas depois, em entrevista à agência Reuters, Trump negou ter dado aval para o valor, declarando: "Eu nunca soube de nada disso". Pouco tempo após essa contradição pública, o presidente anunciou a demissão de Noem através de um post na rede Truth Social.
Substituição e novo cargo para Noem
Trump nomeou o senador republicano Markwayne Mullin, do estado de Oklahoma, como novo secretário de Segurança Interna, com posse prevista para 31 de março de 2026. A nomeação depende de aprovação do Senado, controlado por maioria republicana, onde não se esperam grandes obstáculos.
No mesmo anúncio, Trump elogiou as ações de Noem, especialmente na fronteira, e revelou que ela assumirá o cargo de Enviada Especial para o Escudo das Américas, uma nova iniciativa de segurança no Hemisfério Ocidental. "Kristi é uma amiga, e ainda não tive tempo de ligar para ela. Ela recebeu a tarefa de realizar um trabalho muito difícil, e acho que ela se saiu da melhor maneira possível dadas as circunstâncias", declarou Mullin sobre sua antecessora.
Kristi Noem se torna assim a primeira secretária de gabinete a deixar o cargo durante o segundo mandato de Donald Trump, após um período marcado por polêmicas operações de imigração que deixaram mortos e geraram ampla rejeição pública.
