Trump ameaça Irã com destruição total e enviado iraniano alerta para crimes de guerra
Trump ameaça destruir Irã e Teerã responde com alerta de guerra

Enviado iraniano na ONU alerta para crimes de guerra após ameaças de Trump

O representante do Irã nas Nações Unidas, Amir-Saeid Iravani, afirmou nesta terça-feira (7) que Teerã não ficará de braços cruzados diante das ameaças feitas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Durante uma sessão do Conselho de Segurança sobre o Estreito de Ormuz, Iravani classificou as declarações de Trump como incitação a crimes de guerra e potencialmente genocídio, instando a comunidade internacional a denunciar essa retórica antes que seja tarde demais.

Trump promete destruição total em post nas redes sociais

Horas antes do prazo final dado para que o Irã reabra o Estreito de Ormuz, Donald Trump publicou na rede Truth Social uma mensagem alarmante. "Uma civilização inteira morrerá esta noite, para nunca mais ser ressuscitada", escreveu o presidente norte-americano, acrescentando que não quer que isso aconteça, mas que provavelmente ocorrerá. Trump condenou o regime iraniano, que está no poder há 47 anos, descrevendo-o como marcado por extorsão, corrupção e morte.

Em entrevista ao canal Fox News, Trump reiterou a ameaça, afirmando que "8 pm vai acontecer" em referência ao horário-limite de Washington (21h em Brasília). O repórter Brett Baier relatou que Trump disse que, se chegarem a esse ponto, haverá um ataque como nunca se viu antes, embora tenha deixado em aberto a possibilidade de mudanças caso as negociações avancem.

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Resposta iraniana: autodefesa e mobilização popular

Amir-Saeid Iravani foi enfático ao declarar que o Irã exercerá seu direito inerente de autodefesa e tomará medidas recíprocas imediatas e proporcionais. Paralelamente, as autoridades iranianas iniciaram uma campanha de mobilização nacional. Alireza Rahimi, secretário do Conselho Supremo da Juventude e dos Adolescentes, convocou pela televisão estatal todos os jovens, atletas, artistas e estudantes para formarem correntes humanas em torno das usinas de energia do país, descritas como ativos e capital nacional.

O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, reforçou esse sentimento em publicação no X, afirmando que mais de 14 milhões de iranianos declararam estar prontos para sacrificar suas vidas em defesa do país. No entanto, essa cifra representa apenas uma fração da população total, que ultrapassa 90 milhões de habitantes. Em Teerã, o clima é descrito como sombrio, com relatos anônimos de cidadãos expressando desespero diante da possibilidade de cortes de energia em larga escala.

Importância estratégica do Estreito de Ormuz e impasse nas negociações

O Estreito de Ormuz é uma das principais rotas marítimas do planeta, por onde passa aproximadamente 20% de todo o petróleo comercializado mundialmente. O Irã praticamente fechou a passagem após bombardeios dos EUA e Israel em seu território no final de fevereiro, o que gerou repercussões significativas nos preços globais do petróleo e do gás.

As negociações para um cessar-fogo não avançaram. Irã e Estados Unidos rejeitaram o plano elaborado pelo Paquistão, que previa uma trégua imediata e a reabertura do estreito, seguida por um prazo de 15 a 20 dias para um acordo mais amplo. Teerã apresentou uma contraproposta, elogiada por Trump, mas considerada insuficiente. A agência de notícias estatal iraniana Irna afirmou que o país prefere negociar o fim total do conflito em vez de uma pausa temporária, que poderia dar tempo aos rivais para prepararem novos ataques.

O prazo dado por Trump para a reabertura do Estreito de Ormuz expira nesta terça-feira às 21h, no horário de Brasília, com o Irã não demonstrando sinais de cedência e os Estados Unidos mantendo suas ameaças de ação militar sem precedentes.

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