O Ministério das Relações Exteriores da Rússia emitiu um forte comunicado nesta terça-feira, 6 de janeiro de 2026, condenando o que chamou de "ameaças neocoloniais flagrantes e agressão armada estrangeira" contra a Venezuela. A declaração ocorre após a prisão do ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, pelos Estados Unidos, no último sábado, dia 3.
Posicionamento russo e apoio ao novo governo
Em sua nota oficial, a chancelaria russa não mencionou diretamente os Estados Unidos, mas deixou claro seu repúdio às ações contra a soberania venezuelana. O governo de Vladimir Putin saudou a posse da presidente interina Delcy Rodríguez, que era vice de Maduro, e reiterou seu apoio às autoridades do país.
O texto do comunicado foi enfático: "a Venezuela deve ter garantido o direito de determinar seu próprio destino sem qualquer interferência externa destrutiva". A Rússia ainda elogiou os esforços para proteger a soberania nacional e reafirmou sua "inabalável solidariedade" com o povo e o governo venezuelanos, prometendo continuar a fornecer o "apoio necessário".
Esta não foi a primeira reação de Moscou. No sábado, logo após a queda de Maduro, a Rússia já havia criticado o "ato de agressão armada" ordenado pelo governo do presidente americano Donald Trump, defendendo que a América Latina deve "permanecer uma zona de paz".
Detalhes da prisão e acusações graves
A operação que levou à captura de Maduro e Cilia Flores foi descrita como um evento dramático. Segundo a CNN, ambos foram retirados à força do quarto onde estavam por militares americanos durante a madrugada de sábado. O presidente Donald Trump afirmou à Fox News que assistiu ao vivo à transmissão da captura, feita por agentes que participaram da missão.
Nahum Fernández, líder do partido governista venezuelano, informou à Associated Press que o casal estava em uma residência dentro do complexo militar Forte Tiuana no momento da ação. Atualmente, Maduro e sua esposa estão presos no Brooklyn, em Nova York, e alegam inocência.
As acusações contra o ex-líder venezuelano são extremamente graves. Um novo indiciamento divulgado no sábado pela promotoria de Manhattan alega que Maduro supervisionou pessoalmente uma rede de tráfico de cocaína patrocinada pelo Estado.
Segundo o documento, essa rede mantinha parcerias com alguns dos grupos criminosos mais violentos do mundo, incluindo:
- Os cartéis mexicanos de Sinaloa e Los Zetas.
- O grupo paramilitar colombiano FARC.
- A gangue venezuelana Tren de Aragua.
Além de Maduro e Cilia Flores, a acusação na Corte do Distrito Sul de Nova York inclui como réus o filho do líder, Nicolás Maduro Guerra, o ministro do Interior, Diosdado Cabello, e Hector Guerrero Flores (Niño Guerrero), líder do Tren de Aragua.
O peso legal das acusações
A denúncia criminal, conhecida como "indictment", é um documento formal que autoriza acusações graves e a expedição de mandados de prisão internacionais. Ela detalha uma trajetória controversa, atribuindo a Maduro, por exemplo, o papel de ter movimentado carregamentos de cocaína sob proteção policial quando era membro da Assembleia Nacional.
O procurador dos Estados Unidos, Jay Clayton, foi direto ao afirmar: "Maduro Flores permite que a corrupção alimentada pela cocaína floresça para seu próprio benefício, para o benefício dos membros de seu regime governante e para o benefício de seus familiares".
O caso ganha contornos ainda mais sérios porque Maduro é acusado de narcoterrorismo. Com base em uma lei americana criada após os ataques de 11 de setembro de 2001, ele passa a ser enquadrado como um risco à segurança nacional dos Estados Unidos. É nesta mistura de direito penal, direito internacional e segurança nacional que as autoridades norte-americanas baseiam sua ação para julgar e condenar o ex-presidente venezuelano.
Enquanto a justiça americana avança com seu processo, a resposta internacional, capitaneada pela Rússia, demonstra que o caso Maduro continuará a ser um ponto de forte tensão geopolítica, reacendendo debates sobre soberania, intervenção e a guerra contra as drogas em escala global.



