Manifesto do PT ignora corrupção e defende socialismo democrático para reeleição de Lula
PT ignora corrupção e defende socialismo democrático em manifesto

Com quase 3.500 palavras, o manifesto divulgado pelo Partido dos Trabalhadores (PT) no fim de semana não menciona a corrupção enraizada nas esferas de poder em nenhum trecho do longo documento, elaborado para justificar os desafios enfrentados pelo governo Lula. O texto, que serve como plataforma para a reeleição do presidente, defende reformas estruturais que fortaleçam o Estado como indutor do crescimento econômico, tendo como horizonte o socialismo democrático.

Ausência de autocrítica

Quando concluir o atual mandato, Lula terá governado o Brasil por 12 anos. Somados aos 5 anos e 8 meses de Dilma Rousseff, são quase duas décadas de hegemonia petista na máquina estatal. O manifesto atribui a persistência de um país empobrecido, dependente de benefícios sociais, com serviços públicos precários e uma das máquinas públicas mais caras do mundo ao "esgotamento do modelo neoliberal".

"Vivemos uma mudança de época, marcada pela crise do capitalismo neoliberal e pela crescente desordem global. Nessa conjuntura, se sobrepõem crises estruturais que atingem o sistema capitalista, a ordem internacional, as democracias liberais e as próprias condições de vida no planeta", afirma o PT no documento.

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O governo Lula enfrenta mais de 3 milhões de brasileiros na fila do INSS, estatais com prejuízos bilionários e um escândalo de roubalheira no INSS que vitimou mais de 5 milhões de aposentados, custando mais de R$ 3 bilhões aos cofres públicos. Os gastos com cartão corporativo e viagens internacionais da cúpula do poder também consomem fatias bilionárias do orçamento, mas nada disso é citado como causa do distanciamento dos eleitores da esquerda.

Críticas atribuídas a "ressentimento popular"

Para o petismo, o avanço de discursos de oposição se deve a "ressentimento popular" e "negacionismo". O manifesto afirma: "A experiência brasileira demonstra que não há democracia sustentável sem a efetiva transformação material da sociedade. Sem a redistribuição real de renda, de poder e de oportunidades, a frustração social se aprofunda e corrói a confiança nas instituições. É esse vácuo de esperança que se torna terreno fértil para a ofensiva autoritária da extrema-direita, que captura o ressentimento popular ao oferecer falsas soluções regressivas para problemas que são, na essência, estruturais".

O atual governo elevou a arrecadação federal a patamares inéditos, inflando a máquina para permitir mais gastos. No entanto, a maioria dos brasileiros enfrenta endividamento, baixos salários, trabalho precário e dificuldade para comprar itens básicos devido ao avanço dos preços. O petismo ignora essas questões e credita a falta de gratidão à esquerda a uma "crise civilizatória".

Proposta de socialismo democrático

A solução apresentada pelo PT para um quarto mandato de Lula é implementar reformas estruturais focadas no socialismo democrático. "As reformas estruturais que o Partido dos Trabalhadores propõe devem ser compreendidas como parte de um projeto nacional de desenvolvimento, orientado por objetivos estratégicos claros – tendo como horizonte programático o socialismo democrático – e sustentado por uma correlação de forças capaz de enfrentar privilégios historicamente consolidados", diz o texto.

O documento ainda atribui a falta de reconhecimento popular às "maravilhas" do governo Lula à "desinformação mediada por plataformas digitais e pela manipulação política do medo". O manifesto completo, com quase 3.500 palavras, defende reformas políticas, tributárias, tecnológicas, judiciárias, administrativas, agrárias e de comunicação, além de reafirmar o compromisso com a soberania nacional e a justiça social.

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