Papa Leão XIV afirma 'não ter medo do governo Trump' após troca de farpas com presidente dos EUA
Papa Leão XIV diz não ter medo de Trump após críticas mútuas

Confronto diplomático entre Vaticano e Casa Branca ganha novos capítulos

O papa Leão XIV e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, protagonizaram um embate público entre domingo, 12, e segunda-feira, 13 de abril de 2026. As trocas de farpas marcaram uma mudança significativa no tom do pontífice, que nas últimas semanas vinha adotando uma postura mais discreta em relação às políticas do governo norte-americano.

Primeiro papa americano e relações conturbadas desde o início

Leão XIV, eleito em maio de 2025, é o primeiro papa nascido nos Estados Unidos. Logo após sua eleição, recebeu no Vaticano o vice-presidente J.D. Vance e o secretário Marco Rubio, ocasião em que foi convidado a visitar a Casa Branca. A viagem nunca se concretizou, e o pontífice começou a criticar abertamente as políticas de imigração do governo Trump.

Em novembro de 2025, sem citar nomes, Leão XIV fez sua declaração mais contundente: "Quando pessoas levaram vidas corretas, muitas delas por 10, 15, 20 anos, tratá-las de uma forma que é, para dizer o mínimo, extremamente desrespeitosa e com episódios de violência é preocupante". Ele reconheceu problemas no sistema judicial americano, mas deixou claro que não defendia fronteiras abertas.

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Mudança de tom e abordagem diplomática

A partir do final de 2025, o papa começou a suavizar suas críticas. Demonstrou preocupação com situações no Caribe e na Venezuela, sugerindo pressão econômica contra o regime de Nicolás Maduro em vez do uso da força. Evitou comentar ameaças de Trump contra a Groenlândia e não mencionou mortes em operações antimigratórias em janeiro.

Em fevereiro, fontes do Vaticano revelaram à AFP que Leão XIV adotava uma abordagem discreta, confiando em críticas feitas por bispos americanos enquanto o Vaticano usava canais diplomáticos para dialogar com Washington. "Leão é muito cauteloso. Sabe que a voz do papa é universal. Como americano, é um pouco um opositor natural do trumpismo", disse uma fonte anônima.

Guerra no Irã acirra confronto verbal

A situação mudou radicalmente com o conflito no Irã. Um dia após o início da guerra, o papa expressou "profunda preocupação" e alertou para possíveis tragédias. No fim de março, durante a missa de Domingo de Ramos, elevou o tom: "[Jesus] não escuta as orações daqueles que fazem guerras, mas as rejeita, dizendo: 'Ainda que façais muitas orações, não ouvirei: as vossas mãos estão cheias de sangue'".

Em 7 de abril, classificou como "inaceitáveis" as ameaças contra o povo iraniano, no mesmo dia em que Trump afirmou que uma "civilização inteira" poderia morrer em um ataque dos EUA. Mesmo após o início da trégua, Leão manteve críticas: na sexta-feira, 10, disse que Deus "não abençoa nenhum conflito"; no sábado, 11, apelou pelo fim da "loucura da guerra"; no domingo, 12, expressou solidariedade ao povo libanês e pediu cessar-fogo no Oriente Médio.

Resposta dura de Trump e réplica do pontífice

Na noite de domingo, 12, Trump publicou crítica feroz na Truth Social, chamando o papa de "fraco" e acusando-o de agradar a "esquerda radical". "Não quero um papa que ache que tudo bem o Irã ter uma arma nuclear. Não quero um papa que ache terrível que os Estados Unidos tenham atacado a Venezuela. E não quero um papa que critique o presidente dos Estados Unidos", escreveu.

O presidente também postou imagem gerada por inteligência artificial onde aparecia com túnica e poderes de cura, em estética semelhante à de Jesus - conteúdo removido no dia seguinte após críticas. Trump ainda afirmou que Leão só foi eleito porque ele é presidente, e que o pontífice deveria ser grato por isso.

Declaração definitiva do papa

Nesta segunda-feira, 13, Leão XIV respondeu com firmeza: "Não tenho medo do governo Trump". Afirmou que não fez ataques diretos ao presidente ao apelar pela paz, e lamentou a interpretação de suas mensagens. "Colocar minha mensagem no mesmo patamar do que o presidente tentou fazer aqui, creio eu, é não compreender qual é a mensagem do Evangelho".

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O pontífice reafirmou seu compromisso: "Não hesitarei em anunciar a mensagem do Evangelho e em convidar todas as pessoas a procurarem maneiras de construir pontes de paz e reconciliação, e a buscarem formas de evitar a guerra sempre que possível". A troca de farpas revela tensões profundas entre o primeiro papa americano e o governo de seu país natal, com implicações para as relações internacionais e o diálogo inter-religioso.