María Corina Machado exige eleições na Venezuela devido à ausência de Maduro
Machado pede eleições na Venezuela por ausência de Maduro

Oposição venezuelana pressiona por eleições após ausência prolongada de Maduro

A líder da oposição na Venezuela, María Corina Machado, fez um apelo urgente nesta terça-feira, 14 de abril de 2026, para que eleições presidenciais sejam realizadas o mais rápido possível no país. A exigência se baseia na "ausência absoluta" do presidente Nicolás Maduro, capturado pelos Estados Unidos em janeiro deste ano.

Fundamento constitucional para novo pleito

Machado destacou que a Constituição venezuelana é muito clara sobre o assunto. "O artigo 233 estabelece que, em caso de ausência absoluta do presidente por mais de 90 dias, a Assembleia Nacional deve reconhecer essa situação e convocar novas eleições", explicou a líder oposicionista em entrevista à agência de notícias AFP.

Com Maduro capturado desde 3 de janeiro, o prazo constitucional de 90 dias foi ultrapassado em 2 de abril, o que tem motivado mobilizações da oposição por um processo eleitoral renovado.

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Processo transitório de nove meses

Apesar da urgência na convocação, Machado esclareceu que realizar eleições não significa um pleito imediato. Ela defende um processo transitório de aproximadamente nove meses para garantir condições justas e transparentes.

  1. Formação de um novo Conselho Nacional Eleitoral com membros "sem vínculos políticos"
  2. Atualização completa do cadastro eleitoral, já que "40% dos venezuelanos com direito a voto não estão registrados"
  3. Estabelecimento de garantias para a lisura do processo eleitoral

Resistência do governo venezuelano

O apelo de Machado encontra forte resistência no governo atual. O ministro do Interior, Diosdado Cabello, rejeitou categoricamente a possibilidade de novas eleições em comentários feitos na segunda-feira, 13 de abril.

"Agora estão pedindo eleições devido à ausência absoluta do presidente Nicolás Maduro. Mas vocês diziam que ele não havia vencido. Como é que agora pedem a ausência absoluta de alguém que não venceu?", questionou Cabello, ironizando a posição oposicionista.

Cenário político e econômico atual

Desde a captura de Maduro, a vice-presidente Delcy Rodríguez assumiu o comando interino do país, sob forte influência dos Estados Unidos. Washington passou a ter papel central tanto na condução da transição política quanto na comercialização do petróleo venezuelano.

No entanto, a situação econômica permanece crítica:

  • O salário mínimo permanece congelado em 130 bolívares desde 2022 (cerca de R$ 1,40)
  • A inflação anual supera 600%
  • O custo mensal de uma cesta básica para uma família de cinco pessoas é de US$ 677
  • A produção de petróleo caiu 21% para 780 mil barris por dia em janeiro
  • As exportações despencaram, reduzindo a entrada de dólares no país

Mobilizações populares e perspectivas

Sindicatos convocaram para a próxima quinta-feira, 16 de abril, uma passeata até a Embaixada dos Estados Unidos em Caracas para exigir a convocatória de eleições. Além da pauta eleitoral, os organizadores criticam a condução da economia e o controle das receitas petrolíferas, hoje sob influência de Washington.

Segundo pesquisa recente da Meganálisis, cerca de 80% dos venezuelanos afirmam que sua situação econômica não melhorou nos dois primeiros meses de 2026 em comparação com 2025, indicando que a retomada da comercialização do petróleo pelos EUA ainda não trouxe benefícios tangíveis para a população.

María Corina Machado, vencedora do Nobel da Paz em dezembro de 2025, permanece como a principal face da oposição venezuelana. Após deixar o país para receber a láurea, a política ainda não retornou à Venezuela, embora prometa fazer isso "em breve".

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