Lula defende multilateralismo e critica protecionismo em discurso no Panamá
Lula no Panamá: multilateralismo e crítica a Trump

Lula defende multilateralismo e integração regional em discurso no Panamá

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reforçou a defesa do multilateralismo durante seu discurso no Fórum Econômico Internacional América Latina e Caribe, realizado no Panamá nesta quarta-feira, 28 de janeiro de 2026. Em sua fala, Lula destacou o potencial econômico da região, citando áreas estratégicas como energia e terras raras, e argumentou que a coordenação entre os países poderia fortalecer o bloco regional no cenário internacional.

Análise de editor de VEJA aponta críticas indiretas a Trump

No programa Ponto de Vista, o editor de política de VEJA, José Benedito da Silva, avaliou os pontos centrais do discurso presidencial. Segundo ele, Lula criticou o ressurgimento do protecionismo no cenário global, em uma referência indireta ao governo de Donald Trump nos Estados Unidos. Benedito também observou menções sutis a intervenções externas na região, com alusão ao contexto político da Venezuela.

O editor destacou que Lula descreveu a atuação de alguns blocos e cúpulas regionais como "rituais vazios", defendendo um pragmatismo nas relações internacionais e a não subordinação da diplomacia a convicções ideológicas. Essa postura, segundo a análise, reflete uma bandeira antiga do petista e serve como contraposição a lideranças que rejeitam o modelo multilateral.

Multilateralismo como eixo central da política externa

José Benedito da Silva observou que o multilateralismo ocupa uma posição central nos discursos de Lula, sendo um tema recorrente em sua agenda internacional. O presidente iniciou sua fala no Panamá enfatizando esse ponto, que se soma à ênfase na integração econômica e no aprimoramento dos mecanismos de comércio entre países.

Essa defesa, segundo o editor, dialoga com os esforços do governo brasileiro para ampliar mercados internacionais para produtos nacionais, buscando consolidar a presença do país em fóruns globais.

Agenda externa em contexto de campanha permanente

Benedito avaliou ainda que a atuação internacional de Lula ocorre em um cenário de campanha permanente, à medida que o calendário eleitoral se aproxima. O presidente tem intensificado viagens, anúncios de programas e obras, além de articulações políticas internas.

Nesse contexto, a agenda externa também serviria para projetar uma imagem positiva do Brasil e do próprio mandatário, com possíveis dividendos eleitorais no futuro. A análise sugere que o discurso no Panamá faz parte de uma estratégia mais ampla visando benefícios políticos e econômicos.

O conteúdo foi produzido com base em análise do programa audiovisual, refletindo as nuances da política externa brasileira e suas implicações regionais.