Lula defende participação da África do Sul no G20 e critica posição unilateral dos EUA
Lula defende África do Sul no G20 e critica EUA

Presidente brasileiro se posiciona contra possível exclusão sul-africana do fórum mundial

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu publicamente nesta segunda-feira, 20 de abril de 2026, a participação do presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, no próximo encontro do G20. A declaração ocorre após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar que a nação africana "não é um país digno de pertencimento a nenhum lugar" e sugerir sua exclusão da cúpula do grupo.

Defesa da soberania coletiva

Durante encontro com o chanceler alemão Friedrich Merz, Lula foi enfático ao declarar: "Os Estados Unidos não têm o direito de proibir um membro fundador do G20 de participar do grupo. Eu disse ao Ramaphosa que ele deve comparecer ao G20. Deve comparecer, não pode não ir porque o Trump disse que ele não ia. Ele vai e vamos chegar lá para ver o que vai acontecer, se vão deixar ele entrar ou não. Eu, se fosse ele, iria ao G20".

O petista argumentou que uma eventual exclusão da África do Sul do fórum estabeleceria um "precedente que ameaça a relevância de outro importante fórum de coordenação mundial". Lula defendeu a união dos países contra decisões unilaterais, alertando: "Se vai tirar a África do Sul hoje, amanhã vão tirar a Alemanha. Depois, vão tirar o Brasil. Se a gente não se juntar as mãos, eles vão tirando um por um".

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Críticas às justificativas norte-americanas

Lula também contestou as alegações apresentadas por Trump para justificar sanções contra a África do Sul. O presidente brasileiro revelou: "O presidente Trump mostrou um filme que não era verdadeiro de trabalho escravo. É um negócio inacreditável. Um documentário em que tinha pessoas brancas trabalhando como escravo e ele diz que era do tempo do Ramaphosa".

Posicionamento sobre outros temas internacionais

Durante a mesma coletiva, Lula abordou outros assuntos de relevância global:

Conflito no Irã

O presidente defendeu o fim da guerra entre Estados Unidos e Irã, expressando ceticismo sobre as alegações de desenvolvimento nuclear iraniano: "Em 2016, volta a velha conversa de que o Irã está preparando uma bomba atômica. Eu não acredito. Como eu não acreditei quando o [George W.] Bush invadiu o Iraque, de que o Saddam Hussein tinha armas nucleares. De vez em quando, as pessoas constroem um mito falso para justificar uma posição que é irreconhecível e irresponsável".

Política energética

Lula reafirmou a defesa dos biocombustíveis como alternativa sustentável, mas com pragmatismo: "Não estamos exigindo que nenhum país abra mão de utilizar o petróleo para desenvolver a sua indústria, para desenvolver a energia que precisa. O que estamos querendo provar é que é possível, mesmo você utilizando o petróleo, uma mistura de biocombustível, você pode diminuir os efeitos nocivos que o combustível fóssil tem".

O presidente destacou que a defesa dos biocombustíveis representa uma questão de "soberania nacional" e mencionou as importações e prospecção de gás natural: "O Brasil também importa gás. Não somos autossuficientes na produção de gás, industrial, sobretudo. Mas o Brasil está fazendo prospecção. Acabamos de encontrar gás na Colômbia, achamos que vamos encontrar gás em alguns países africanos. E o que eu acho é que nós estamos dispostos a discutir com a Alemanha a alternativa energética".

Lula ainda confirmou que o Brasil tem tentado fechar um acordo com o México para explorar petróleo no Golfo do México, demonstrando uma abordagem equilibrada entre desenvolvimento energético e sustentabilidade ambiental.

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