Guerra no Irã dispara petróleo acima de US$ 100 e derruba bolsas asiáticas
No décimo dia do conflito no Oriente Médio, desencadeado por ataques dos Estados Unidos e Israel ao Irã, os preços do petróleo atingiram patamares históricos nos mercados internacionais. O valor de referência do barril ultrapassou a marca de US$ 100, um nível não visto desde 2022, o que deve gerar aumentos ainda mais significativos nos preços da gasolina em todo o mundo.
Impacto imediato nas bolsas asiáticas
As bolsas de valores da Ásia registraram quedas acentuadas em resposta à escalada do conflito. O índice Nikkei 225 do Japão fechou com uma queda superior a 5%, enquanto na Coreia do Sul, o índice Kospi chegou a cair mais de 8%. Essa queda expressiva forçou a paralisação das negociações por 20 minutos através do mecanismo conhecido como circuit breaker, projetado para conter vendas em pânico. Ao final do dia, o Kospi registrou uma queda consolidada de 6%.
Reação emergencial do G7
Os ministros dos países do G7 se reunirão nesta segunda-feira, de forma virtual e em caráter emergencial, para discutir o impacto econômico da guerra entre os EUA, Israel e o Irã, com foco especial no aumento do preço do petróleo. A reunião será liderada pela França, que atualmente detém a presidência rotativa do grupo.
Está previsto que os ministros avaliem uma possível liberação conjunta de reservas estratégicas de petróleo para conter a alta dos preços. Essas reservas são coordenadas pela Agência Internacional de Energia (AIE), com 32 países membros mantendo estoques como parte de um sistema coletivo de emergência para crises no setor petrolífero. De acordo com o jornal britânico Financial Times, três países do G7, incluindo os Estados Unidos, já manifestaram apoio a essa medida.
Paralisia no Estreito de Ormuz e perspectivas
A grave interrupção no fornecimento de energia da região ameaça elevar os preços para consumidores e empresas globalmente. Cerca de um quinto do fornecimento mundial de petróleo é normalmente transportado pelo Estreito de Ormuz, mas o tráfego por essa passagem estratégica praticamente paralisou desde o início do conflito, há mais de uma semana.
O analista Adnan Mazarei, do Instituto Peterson de Economia Internacional, destacou que o aumento nos preços do petróleo era esperado, dada a paralisação da produção em alguns países do Golfo e os sinais de um conflito prolongado. "As pessoas estão percebendo que isso não vai acabar tão cedo", afirmou ele, acrescentando que os objetivos apresentados pelos EUA estão "se tornando cada vez mais irrealistas".
Posicionamento dos EUA e nova liderança no Irã
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, minimizou as preocupações com o aumento dos preços do petróleo. Em publicação em sua plataforma Truth Social, ele declarou: "Os preços do petróleo a curto prazo, que cairão rapidamente quando a destruição da ameaça nuclear iraniana terminar, são um preço muito pequeno a se pagar pela segurança e paz dos EUA e do mundo. SÓ OS TOLOS PENSARIAM DIFERENTE!" Seu secretário de Energia, Chris Wright, afirmou que Israel, e não os EUA, estava mirando a infraestrutura energética do Irã.
Dados da associação de motoristas AAA mostraram que o preço médio da gasolina comum nos EUA subiu 11% na semana passada, alcançando US$ 3,32 por galão.
No domingo, o Irã nomeou Mojtaba Khamenei para suceder seu pai, Ali Khamenei, como Líder Supremo, sinalizando que a ala linha-dura mantém o controle do país. Mojtaba, de 56 anos, é uma figura discreta que nunca ocupou cargos governamentais ou concedeu entrevistas públicas. A escolha pode ser controversa, pois a República Islâmica foi fundada com base no princípio de que o líder supremo deve ser escolhido por mérito religioso e de liderança, não por sucessão hereditária.
O presidente Trump já expressou oposição a Mojtaba Khamenei, declarando: "O filho de Khamenei é inaceitável para mim".
Escalação dos ataques
No fim de semana, os Estados Unidos e Israel lançaram novas ondas de ataques aéreos no Irã, atingindo depósitos de petróleo, enquanto o Irã atacou a infraestrutura energética em países vizinhos do Golfo. A Arábia Saudita afirmou ter interceptado e destruído duas ondas de drones que se dirigiam a um importante campo petrolífero.



