EUA autorizam entrada de petroleiro russo em Cuba em meio a grave crise humanitária
O petroleiro russo Anatoly Kolodkin atracou nesta segunda-feira, 30 de março de 2026, no porto de Havana, capital de Cuba, transportando aproximadamente 100 mil toneladas de petróleo bruto. Este é o primeiro navio a entrar na ilha caribenha desde janeiro, em um momento em que o país enfrenta uma crise econômica e humanitária agravada pelo bloqueio à importação de combustíveis imposto pelo governo dos Estados Unidos.
Decisão dos EUA baseada em gesto humanitário
A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, esclareceu que a permissão para o atracamento foi concedida como um "gesto humanitário", mas enfatizou que não representa qualquer mudança na política de sanções norte-americana. "Isto não é uma mudança de política. Não houve mudança formal na política de sanções", afirmou Leavitt, destacando que Washington avaliará "caso a caso" a entrada de futuras embarcações com petróleo bruto em portos cubanos.
Rússia se compromete com mais envios de petróleo
Após a chegada do navio, o Kremlin declarou que continuará trabalhando para enviar mais petróleo a Havana, considerando "um dever" auxiliar Cuba neste momento crítico. De acordo com dados de monitoramento marítimo da empresa Kpler, o Anatoly Kolodkin partiu do porto de Primorsk, na Rússia, em 8 de março, carregando cerca de 730 mil barris de petróleo.
Especialistas analisam motivações por trás da decisão
Especialistas ouvidos pelo New York Times sugerem que o carregamento pode indicar que os Estados Unidos não desejam agravar o sofrimento do povo cubano, especialmente com a campanha de pressão contra a ilha sendo ofuscada pela guerra no Irã. "A sociedade e a infraestrutura cubanas estão tão debilitadas neste momento que existe um risco real de um colapso total, o que não seria do interesse de ninguém", explicou Pedro A. Freyre, presidente da área de prática internacional da Akerman e especialista em política EUA-Cuba.
Crise energética atinge níveis alarmantes em Cuba
Sem receber os carregamentos de petróleo que importava da Venezuela — interrompidos após a captura de Nicolás Maduro pelo governo americano em janeiro —, Cuba atravessa um de seus momentos mais vulneráveis. Nos últimos meses, o país enfrentou uma série de apagões, deixando mais de 10 milhões de pessoas sem energia elétrica e afetando serviços essenciais, como hospitais e escolas.
Retórica de Trump mantém tensões elevadas
Na última sexta-feira, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, intensificou suas ameaças contra Cuba durante um discurso em um fórum de investimentos em Miami. "Cuba é o próximo", afirmou o republicano, exaltando os sucessos das ações militares norte-americanas na Venezuela e no Irã. "Eu construí esse grande Exército. Eu disse: 'Você nunca terá que usá-lo'. Mas, às vezes, é preciso usá-lo. E, a propósito, Cuba é a próxima", declarou Trump, reforçando sua escalada retórica sem fornecer detalhes adicionais.
Resposta cubana promete resistência inabalável
Em resposta às ameaças, o presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, já havia afirmado anteriormente que qualquer tentativa americana de tomar o país enfrentaria uma "resistência inabalável". A situação permanece tensa, com a ilha dependendo de gestos humanitários pontuais enquanto lida com uma crise energética sem precedentes.



