Pentágono confirma: EUA não têm tropas na Venezuela, mas mantêm 15 mil no Caribe
EUA mantêm 15 mil soldados no Caribe após captura de Maduro

Em meio à tensão regional após a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro, o Departamento de Defesa dos Estados Unidos afirmou que não há militares americanos em solo venezuelano. No entanto, uma força considerável de aproximadamente 15 mil soldados permanece posicionada em países vizinhos e em uma dúzia de navios de guerra no Caribe, em alto estado de prontidão.

Prontidão militar e ameaça de "segunda onda"

O general Dan Caine, presidente do Estado-Maior Conjunto, declarou em entrevista coletiva em Mar-a-Lago, na Flórida, que as forças estão na região "preparadas para projetar poder, se defender e proteger nossos interesses". A declaração ocorre um dia após o presidente Donald Trump afirmar que os EUA planejam "administrar" a Venezuela por um período indefinido.

Horas após a operação de comando que resultou na captura de Maduro e de sua esposa, conduzida pela Delta Force, Trump sugeriu a possibilidade de uma "segunda onda" de ações militares. A medida seria tomada caso os Estados Unidos encontrassem resistência de forças leais ao governo de Caracas. "Não temos medo de colocar tropas em terra", afirmou o presidente americano.

A maior concentração naval desde a crise dos mísseis

O Pentágono não esclareceu por quanto tempo manterá sua força no Caribe, que representa o maior acúmulo naval na região desde a crise dos mísseis de Cuba, em 1962. Especialistas militares e jurídicos apontam que a concentração inicial de tropas tinha como objetivo declarado localizar e destruir lanchas suspeitas de tráfico de drogas, acusações feitas pela administração Trump sem a apresentação pública de provas.

Desde setembro, forças americanas atacaram 35 embarcações no Caribe e no Pacífico Oriental, causando pelo menos 115 mortes. Essas ações foram criticadas por especialistas como ilegais. Nos últimos meses, essas mesmas forças também apoiaram abordagens a petroleiros sob sanções americanas que tentavam transportar petróleo venezuelano.

Preparação e consequências da operação

Nos dias que antecederam a operação de sábado, os EUA reforçaram a região com aeronaves de Operações Especiais, aviões de guerra eletrônica, drones armados, helicópteros de resgate e caças. Para analistas militares, esses reforços de última hora indicavam que a única dúvida sobre uma ação americana na Venezuela era quando ela ocorreria, e não se ocorreria.

O episódio intensifica a tensão regional e internacional, provocando reações de governos da América Latina. Especialistas alertam para os riscos de instabilidade, aumento dos fluxos migratórios e possíveis repercussões legais para os Estados Unidos devido às suas ações. A pergunta sobre quem administrará o país foi respondida por Trump com um gesto para o general Caine, o secretário de Estado Marco Rubio e o secretário de Defesa Pete Hegseth, dizendo "As pessoas que estão bem atrás de mim, nós vamos administrá-la".