Acusações contra Raúl Castro
O governo dos Estados Unidos, sob a administração de Donald Trump, acusou formalmente o ex-presidente cubano Raúl Castro, de 94 anos, por seu envolvimento no abate de duas aeronaves da organização de exilados Irmãos ao Resgate, ocorrido em 1996. Na época, Castro ocupava o cargo de ministro da Defesa de Cuba. As acusações incluem quatro homicídios, dois crimes de destruição de aeronave e conspiração para matar cidadãos americanos. Este movimento é visto como uma escalada significativa nas tensões bilaterais, reminiscente da estratégia adotada contra a Venezuela, que culminou na prisão de Nicolás Maduro.
Contexto histórico e pressão crescente
O incidente de 1996 é considerado um dos momentos mais delicados nas relações entre EUA e Cuba. As acusações surgem em meio a uma intensificação da pressão americana sobre a ilha, que já enfrenta uma grave crise energética devido ao bloqueio de petróleo imposto por Washington. Desde fevereiro, Cuba sofre com apagões constantes, agravados pelo esgotamento das reservas de combustível. A situação levou a estratégias de racionamento, mas sem sucesso duradouro.
O presidente Trump fez declarações públicas indicando disposição para tomar a ilha, chegando a afirmar que seria uma "honra" fazê-lo. Em maio, ele reiterou que os EUA poderiam "assumir" Cuba "quase imediatamente" após o fim do conflito com o Irã. A imprensa americana reportou que o governo busca uma mudança de regime em Cuba até o fim de 2026.
Movimentações militares e diplomáticas
Nos últimos meses, agências dos EUA intensificaram voos de vigilância com aeronaves e drones próximos a Cuba, interpretados como estratégia de intimidação e demonstração de força. Medidas similares foram adotadas antes da operação contra a Venezuela. Em 14 de maio, o diretor da CIA, John Ratcliffe, reuniu-se com autoridades cubanas em Havana, transmitindo uma mensagem de Trump sobre disposição para discutir temas econômicos e de segurança, condicionados a "mudanças fundamentais" em Cuba.
No mesmo dia do indiciamento de Raúl Castro, os EUA anunciaram a chegada do porta-aviões USS Nimitz ao Caribe, embarcação similar à usada na prisão de Maduro. Trump declarou que os norte-americanos estavam "libertando Cuba", enquanto o secretário de Estado Marco Rubio gravou um vídeo propondo uma "nova Cuba". O procurador-geral interino Todd Blanche afirmou que Castro comparecerá aos EUA para responder às acusações "por vontade própria ou de outra forma".
Reação cubana e negociações
O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, classificou o indiciamento como uma ação política sem base jurídica. Dias antes, ele alertou para o direito da ilha de se defender e que uma intervenção militar provocaria um "banho de sangue". Apesar da retórica, Havana iniciou negociações com os EUA em março, conforme anunciado por Díaz-Canel em pronunciamento na TV. O jornal The New York Times revelou que a Casa Branca pressiona pela saída de Díaz-Canel para destravar as conversas, mas sem exigir mudanças amplas no regime comunista.
As negociações são coordenadas por Marco Rubio, filho de imigrantes cubanos e defensor da queda do regime. Em fevereiro, o site Axios informou que Rubio mantém conversas secretas com Raúl Guillermo Rodríguez Castro, neto de Raúl Castro e conhecido como "Raulito". Apesar de não ocupar cargo oficial, sua participação indica a influência contínua da família Castro. Em abril, segundo o The Wall Street Journal, ele tentou enviar uma carta secreta a Trump propondo acordos econômicos e alívio de sanções, mas alertando para preparativos militares cubanos contra uma possível invasão.



