Equador declara embaixador cubano persona non grata e dá 48 horas para saída
Equador declara embaixador cubano persona non grata

Equador declara embaixador cubano persona non grata e ordena saída em 48 horas

O governo do Equador, liderado pelo presidente Daniel Noboa, declarou nesta quarta-feira (4) o embaixador de Cuba, Basilio Gutiérrez, e toda a sua equipe diplomática como persona non grata. A medida, anunciada pelo Ministério das Relações Exteriores equatoriano, deu um prazo de 48 horas para que Gutiérrez deixe o território nacional, em uma decisão que surpreendeu observadores internacionais.

Decisão baseada na Convenção de Viena sem justificativa explícita

As autoridades equatorianas não forneceram uma explicação detalhada para a expulsão, mas citaram o Artigo 9 da Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas. Este artigo permite que países declarem qualquer membro do pessoal diplomático como inaceitável sem a necessidade de justificar a decisão, obrigando o Estado de origem a retirar a pessoa ou encerrar suas funções. O Equador não esclareceu se esta ação implica uma ruptura formal das relações diplomáticas com Cuba, deixando em aberto o futuro dos laços bilaterais.

Cuba reage com indignação e acusa pressão dos Estados Unidos

Em resposta imediata, o Ministério das Relações Exteriores de Cuba rejeitou veementemente a medida, classificando-a como arbitrária e injustificada. Em comunicado oficial, Havana descreveu o ato como um ato hostil e sem precedentes que prejudica os laços históricos entre as duas nações. Além disso, Cuba sugeriu que a expulsão estaria ligada a pressões dos Estados Unidos, especialmente antes de uma cúpula regional prevista para o próximo fim de semana em Miami, que contará com a participação de representantes de vários países da América Latina.

Segurança reforçada em torno da embaixada cubana em Quito

Testemunhas relataram à agência de notícias Reuters que policiais e militares equatorianos foram vistos patrulhando a área em frente à embaixada cubana em Quito, capital do Equador. Este reforço de segurança indica a tensão gerada pela decisão diplomática e a preocupação com possíveis incidentes. A presença das forças de segurança realça o caráter sensível da situação, que pode ter repercussões mais amplas na política externa da região.

A expulsão do embaixador cubano ocorre em um momento de crescente instabilidade nas relações internacionais da América Latina, com o Equador adotando uma postura mais assertiva sob a liderança de Daniel Noboa. Especialistas alertam que este movimento pode afetar não apenas os vínculos bilaterais, mas também a dinâmica regional, especialmente em fóruns como a próxima cúpula em Miami. A comunidade internacional aguarda desenvolvimentos, enquanto Cuba avalia suas opções de resposta e o Equador mantém seu silêncio sobre os motivos específicos da decisão.