Chile suspende regularização de 182 mil imigrantes sob governo ultradireitista de Kast
Chile suspende regularização de 182 mil imigrantes sob Kast

Chile suspende regularização em massa de quase 200 mil imigrantes sob governo ultradireitista

O novo governo do presidente chileno José Antonio Kast, que assumiu o poder em 11 de março de 2026, suspendeu imediatamente a regularização de 182 mil migrantes que havia sido impulsionada pela gestão anterior de Gabriel Boric. A medida representa uma virada radical na política migratória do país, alinhada com a agenda de segurança pública prometida pelo líder ultradireitista.

Fim da regularização proposta por Boric

De acordo com informações confirmadas pelo Serviço de Migrações à agência de notícias AFP nesta segunda-feira, 30 de março, a administração de Boric havia deixado pronto um decreto para regularizar aproximadamente 182 mil pessoas que participaram de um processo de registro de imigrantes que entraram de forma irregular no Chile. Frank Sauerbaum, diretor do Serviço de Migrações, foi enfático ao declarar: "Não vamos promover uma regularização em massa como foi proposta no governo de Boric".

Sauerbaum ainda acrescentou que, entre os 182 mil imigrantes, cerca de 6 mil já cometeram algum tipo de delito, embora não tenha detalhados quais crimes específicos teriam sido praticados. A suspensão desta medida ocorre em um contexto onde, segundo dados oficiais, pelo menos 337 mil estrangeiros vivem atualmente sem a documentação necessária no Chile, sendo mais da metade de origem venezuelana.

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Linha-dura contra imigração irregular

José Antonio Kast assumiu a Presidência do Chile na virada mais radical do país à direita desde o fim da ditadura de Augusto Pinochet. Desde sua posse, o novo presidente tem prometido impor uma política de linha-dura contra a imigração irregular, associando diretamente o aumento da criminalidade à chegada de migrantes no território chileno.

Horas após tomar posse, Kast já ordenou a construção de muros e valas na região fronteiriça com a Bolívia e o Peru, como parte do chamado "Plano Escudo de Fronteira". Este plano abrange três principais ações:

  1. Alterações na legislação para "desencorajar a imigração irregular"
  2. Modificação das regras sobre o uso da força para "gerar mais ferramentas contra a entrada clandestina"
  3. Construção de "barreiras físicas nas áreas necessárias"

Supervisão direta e prazos curtos

Apenas cinco dias após assumir o governo, Kast viajou pessoalmente à região de Arica, na fronteira com o Peru, para supervisionar o início da construção das barreiras contra a entrada de migrantes nas três regiões do norte do país. O presidente estabeleceu um prazo extremamente curto de 90 dias para a conclusão destas obras.

Nesta segunda-feira, durante declarações à imprensa, Kast afirmou categoricamente que, nos últimos anos, "o Chile foi invadido pela imigração ilegal, pelo narcotráfico e pelo crime organizado". Esta retórica tem sido central em seu discurso político, justificando as medidas mais duras contra a imigração irregular.

Contexto migratório chileno

A suspensão da regularização ocorre em um momento delicado para a política migratória chilena. O país tem enfrentado um aumento significativo no fluxo de imigrantes nos últimos anos, especialmente da Venezuela, criando desafios tanto para a infraestrutura pública quanto para a coesão social.

A medida de Boric, agora suspensa, buscava trazer para a legalidade um grande contingente de imigrantes que já estavam no país, permitindo-lhes acesso a serviços públicos, trabalho formal e integração social. A nova abordagem de Kast, no entanto, prioriza o controle fronteiriço rigoroso e a associação entre imigração irregular e problemas de segurança pública.

Especialistas em migração alertam que políticas excessivamente restritivas podem criar uma população ainda mais vulnerável, sem acesso a direitos básicos e mais suscetível à exploração laboral. O governo chileno, no entanto, mantém sua posição de que o controle migratório é fundamental para a segurança nacional e a estabilidade social do país.

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