Brasileiros enfrentam fuga desesperada no Líbano após 33 dias de guerra
Em mais um dia de bombardeios intensos no Oriente Médio, o Jornal Nacional encontrou famílias brasileiras que tiveram que abandonar suas casas no Líbano devido aos confrontos entre Israel e o grupo Hezbollah. O conflito, que já dura 33 dias, intensificou-se com ataques em múltiplas frentes, causando destruição e deslocamento em massa.
Destruição se espalha pelo Irã e Líbano
Em Teerã, explosões foram ouvidas ao amanhecer, com colunas de fumaça subindo das áreas leste e sul da capital iraniana. Os ataques também atingiram Isfahan, onde uma siderúrgica foi bombardeada pela segunda vez, e Bushehr, local de uma usina nuclear, onde o governo relatou destruição de instalações civis.
No Líbano, os ataques israelenses focaram nos subúrbios de Beirute e no sul do país. Israel afirmou ter atingido um alto comandante do Hezbollah, enquanto autoridades libanesas confirmaram sete mortes e 24 feridos, elevando o total de mortos no país para mais de 1,3 mil.
Histórias de famílias brasileiras em fuga
O documentarista Gabriel Chaim, presente no Líbano, registrou relatos emocionantes de brasileiros forçados a deixar tudo para trás. Garib, abrigado em uma escola com familiares, descreveu o terror: "Imagina você dormindo, acordar com uma bomba. Estourou casa do lado da sua casa. Cinco horas saí de casa e não tenho nada".
Sua família fugiu apenas com a roupa do corpo, dormindo inicialmente no carro até encontrar acolhimento. Hussein, irmão de Garib, havia chegado recentemente do Brasil para o Ramadã quando a guerra estourou, e agora enfrentam dificuldades para obter passagens de saída.
Fátima, residente no Vale do Bekaa, relatou que ela, o marido e os quatro filhos fugiram de madrugada após aviso das forças israelenses. A família agora vive de donativos em uma escola, com sua casa a apenas 20 minutos de distância, mas inacessível devido aos combates.
Escalada regional e impactos globais
Os contra-ataques atingiram Israel diretamente, com um míssil interceptado em Tel Aviv e sirenes alertando para novos ataques. Em Bnei Brak, moradores correram para abrigos. Os houthis do Iêmen assumiram responsabilidade, coordenando com Irã e Hezbollah, resultando em 14 feridos em Israel, incluindo duas crianças.
No Golfo, a escalada danificou infraestruturas estratégicas:
- Uma morte nos Emirados Árabes
- Um petroleiro do Catar atingido no Estreito de Ormuz
- Drones atacaram tanques de combustível no Kuwait
Israel anunciou um aumento de quase 15% nos preços dos combustíveis, o maior em quatro anos. A Agência Internacional de Energia alerta que mais de 12 milhões de barris de petróleo deixaram de ser fornecidos desde o início do conflito, com perdas em abril previstas para dobrar as de março.
A escassez, já sentida na China, deve chegar à Europa em semanas, impactando preços e a economia global. Enquanto isso, o comandante da Marinha da França busca formar uma coalizão para reabrir o Estreito de Ormuz, pressionando a China a agir com mais firmeza em relação ao Irã.



