Família brasileira vive dias de terror em Dubai com alertas de mísseis e voos cancelados
Brasileiros em Dubai vivem terror com alertas de mísseis e voos cancelados

Família brasileira vive dias de terror em Dubai com alertas de mísseis e voos cancelados

Uma família brasileira enfrenta dias de medo e incerteza em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, após o agravamento dos conflitos entre Estados Unidos, Israel e Irã que afetaram drasticamente o tráfego aéreo em toda a região do Oriente Médio. Sem conseguir retornar ao Brasil, eles relatam uma rotina aterrorizante de se esconder em áreas subterrâneas do prédio onde estão hospedados sempre que alertas de possíveis ataques são disparados.

Conflitos interrompem viagem e provocam fechamento de aeroportos

Os confrontos começaram no dia 28 de fevereiro e provocaram o fechamento temporário de aeroportos e o cancelamento generalizado de voos na região. Mesmo após a reabertura gradual, as operações aéreas ainda não foram totalmente normalizadas, deixando milhares de viajantes em situação precária.

A brasileira, que está em Dubai com o marido e as filhas, contou que a família estava em uma viagem pela Itália e tinha planejado passar dez dias na cidade dos Emirados Árabes, mas o cenário mudou radicalmente no quarto dia de estadia. "Na noite do dia 28 de fevereiro, quando estávamos comemorando nosso aniversário de casamento, recebemos um alerta no celular orientando que todos deveriam descer imediatamente para o subsolo do prédio para se proteger", relatou.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Vivendo no 54º andar com vista para o Burj Khalifa

Eles estavam hospedados em um apartamento alugado por temporada próximo ao Burj Khalifa, no 54º andar de um prédio residencial. "Descemos imediatamente com as crianças para o lobby. Elas estavam muito assustadas. Nosso apartamento ficava em um andar bem alto, no 54º andar, praticamente de frente para o Burj Khalifa", descreveu.

"O alerta é emitido pelo celular com um barulho muito alto. Estávamos com três aparelhos e smartwatches, e todos dispararam ao mesmo tempo. É algo muito assustador, até porque não estamos habituados com um cenário de guerra", acrescentou. A mensagem orientava a procurar abrigo imediatamente por ameaça de ataque com míssil.

Rotina de medo com explosões e aviões de caça

"Ficamos cerca de duas horas no lobby. Depois decidimos ir para o estacionamento, que também fica em uma área subterrânea, e só voltamos para o apartamento quando chegou uma nova mensagem dizendo que a situação estava aparentemente normal. Isso demorou bastante", contou.

Desde então, os avisos de risco passaram a fazer parte da rotina diária. "Você recebe a mensagem dizendo que tem um míssil se aproximando e precisa procurar abrigo imediatamente. É uma questão de tempo, e a inexperiência gera muito estresse e medo", relatou. A família afirma que já recebeu entre cinco e seis alertas desde o início do conflito e que "a gente dorme ouvindo aviões de caça e passa o dia escutando explosões".

Voos cancelados e tentativa desesperada de retorno

O voo de retorno da família ao Brasil estava originalmente marcado para o dia 8 de março, por uma companhia aérea italiana. No entanto, no dia 5 de março, eles receberam a informação de que a viagem havia sido cancelada.

"Nosso voo de retorno estava originalmente marcado para domingo (8), por uma companhia italiana. No dia 5 de março recebemos a informação de que o voo havia sido cancelado e remarcado apenas para o dia 13", explicou.

Diante da incerteza e dos novos alertas de risco nos últimos dias, a família decidiu comprar novas passagens por conta própria para tentar antecipar o retorno. "Sabemos que há cerca de 15 mil brasileiros aqui e que nem todos querem ir embora, mas é uma situação delicada", afirmou.

Orientações do governo brasileiro e situação dos consulados

Ela afirma que, até o momento, o governo brasileiro tem divulgado apenas orientações gerais para quem está na região. "No caso do Brasil, vimos o perfil do consulado no Instagram publicando orientações, telefones de emergência e sugerindo rotas de saída por países como Arábia Saudita ou Omã, além de alertar sobre os riscos".

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar

Especialista em Direito do Passageiro Aéreo dá orientações

De acordo com a advogada especialista em Direito do Passageiro Aéreo, Luiza Costa Russo, em situações como essa é fundamental que os viajantes priorizem a segurança e sigam as orientações das autoridades locais. "A orientação é seguir rigorosamente todas as medidas determinadas pelas autoridades locais e permanecer em locais protegidos, como abrigos ou áreas seguras indicadas pelos hotéis".

A especialista também recomenda que os brasileiros procurem apoio das autoridades diplomáticas. "É importante procurar a embaixada ou o consulado do seu país. Em alguns casos, também é possível buscar apoio do Ministério das Relações Exteriores do Brasil para orientações e eventuais operações de repatriação".

Força maior limita responsabilidade das companhias aéreas

Segundo a advogada, o fechamento do espaço aéreo por causa de guerra ou conflito armado é considerado um caso de força maior, o que limita significativamente a responsabilidade das companhias aéreas. "Nesse cenário, as companhias aéreas não têm como prever o evento nem controlar suas consequências. Por isso, elas ficam isentas de responsabilidade por eventuais prejuízos decorrentes da interrupção dos voos".

Ela explica que a retirada de passageiros de áreas de conflito pode depender de operações especiais. "Quando o espaço aéreo está fechado para a aviação civil, uma eventual retirada pode ocorrer apenas com apoio de forças armadas ou operações governamentais, que possuem autorizações específicas para circular em áreas restritas".

Dificuldades na reorganização dos passageiros

Mesmo após a reabertura dos aeroportos, o grande volume de voos cancelados pode dificultar significativamente a reorganização dos passageiros. "Se cerca de dez voos forem cancelados, estamos falando de aproximadamente dois mil passageiros precisando de novos assentos. Isso cria uma demanda muito alta e dificulta uma solução imediata".

Segundo ela, companhias com grande presença local, como a Emirates, tendem a ter mais estrutura para reorganizar os passageiros. Ainda assim, despesas extras, como hospedagem durante o período de interrupção dos voos, podem não ser responsabilidade das companhias aéreas quando o cancelamento ocorre por motivo de força maior.

A família brasileira em Dubai não tem fotos do lobby e do estacionamento onde se refugiam durante os alertas porque tem receio de multas por violação de regras de segurança local.