Lula convoca equipe ministerial para reforçar defesa do governo em ano eleitoral
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) realiza nesta terça-feira (31) uma reunião ministerial com objetivo claro: reafirmar a necessidade de defesa das ações de seu governo. O encontro, que ocorrerá na Sala Suprema do Palácio do Planalto, espaço reservado para reuniões de grande porte, terá orientação especialmente direcionada aos ministros que deixarão seus cargos para concorrer às eleições de outubro.
Despedida estratégica com balanço de realizações
Nessa despedida, Lula deverá recomendar a defesa de seu legado, além de agradecer pelo trabalho desenvolvido. Prestes a deixar o governo para concorrer ao Senado pela Bahia, o chefe da Casa Civil, Rui Costa (PT), fará um balanço detalhado das realizações da gestão. Segundo auxiliares do presidente, a ideia é municiar os colegas com as entregas de toda a Esplanada dos Ministérios, e não apenas de suas pastas específicas.
Assim, os ministros terão uma visão geral da gestão para enfrentamento ao bolsonarismo em suas regiões - sendo Flávio Bolsonaro (PL) apontado como principal adversário do petista na disputa eleitoral. Aliados do presidente também têm sido orientados a falar sobre o impacto negativo na economia brasileira da guerra no Oriente Médio, lembrando que as iniciativas do governo de Donald Trump contam com apoio da família Bolsonaro.
Estrutura da reunião e apresentações programadas
Como costuma ocorrer nas reuniões ministeriais, o encontro será iniciado por um discurso do presidente, seguido por intervenções de alguns de seus ministros. Desta vez, as falas devem ser comandadas por Rui Costa, Sidônio Palmeira (Secretaria de Comunicação) e por Dario Durigan, sucessor de Fernando Haddad no Ministério da Fazenda.
Durigan foi escalado para uma apresentação de avanços e desafios na área econômica. Segundo interlocutores, ele deve fazer um balanço das ações da pasta até este momento do mandato. A pedido de Lula, foi feito um estudo sobre os efeitos da taxa de juros na economia, apresentação que já foi realizada para o presidente e seus colaboradores diretos.
Mudanças na equipe ministerial
No total, 20 ministros entre os 38 devem se afastar dos cargos por conta das eleições, incluindo aqueles que disputarão cargos públicos, serão remanejados para outras pastas ou atuarão na campanha do presidente. O prazo oficial para desincompatibilização se encerra no sábado (4), mas a maioria deve anunciar saída antes desta data.
Com a aproximação do período eleitoral, a orientação passada à equipe do governo vinha sendo a de que ministros com mandatos parlamentares se afastassem durante a disputa para reforçar o palanque de Lula nos estados. Essa intenção se manteve, com algumas alterações conforme os planos do petista para cada ministro.
Como exemplos significativos, estão os casos de Fernando Haddad (PT) e Márcio França (PSB). Haddad, então chefe da Fazenda, não pretendia entrar na disputa eleitoral neste ano, mas será candidato a governador de São Paulo a pedido do presidente. França, por sua vez, deve assumir o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, uma vez que Geraldo Alckmin (PSB) se lançará à vice-presidência novamente.
Ministros palacianos e suas trajetórias
Entre os ministros palacianos, que atuam diretamente com o presidente, Rui Costa e Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais) deixarão os postos para pleitear vagas no Senado - pela Bahia e pelo Paraná, respectivamente. Guilherme Boulos (Secretaria-Geral), Sidônio Palmeira e Jorge Messias (Advocacia-Geral da União), por sua vez, se manterão no governo.
A sucessão da maioria dos ministérios deverá ficar com os secretários-executivos de cada pasta, como vem sendo anunciado pelos titulares e pelo próprio Lula. Alguns casos, no entanto, ainda carecem de deliberação, como quem assumirá a articulação política no lugar de Gleisi.
Casos pendentes e decisões em análise
Lula desistiu de nomear o secretário-executivo do Conselhão (Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável), Olavo Noleto, como ministro das Relações Institucionais após líderes do Congresso demonstrarem ressalvas à escolha. O rumo de alguns ministros ainda está em definição - em alguns casos, por depender de aval do próprio Lula.
É o caso do pedetista Wolney Queiroz (Previdência Social), que poderá sair a deputado federal por Pernambuco. O petista Camilo Santana (Educação) pode apoiar a campanha de Lula ou se lançar a candidato ao Governo do Ceará. Nesta segunda (30), Lula anunciou o secretário-executivo do MEC (Ministério da Educação), Leonardo Barchini, para assumir o posto.
Também estão sob deliberação os casos de Alexandre Silveira (PSD), das Minas e Energia, para quem Lula teria pedido que permanecesse no cargo. A preocupação seria garantir a estabilidade da "cozinha" do governo com as saídas de outros nomes de maior confiança e proximidade do presidente como Haddad, Rui Costa e Gleisi.
Comunicação e continuidade do trabalho
Sidônio Palmeira, por sua vez, deverá fazer uma apresentação sobre a comunicação do governo durante a reunião. Para os futuros ministros, a orientação é para que mantenham o ritmo do trabalho de suas pastas, assegurando continuidade nas políticas públicas.
Esta não será a primeira vez em que Lula cobra solidariedade de sua equipe. Em reunião ministerial de novembro passado, a cobrança específica direcionada aos ministros foi para que aqueles que já haviam sido governadores adotassem uma posição mais ofensiva frente ao debate da segurança pública nos estados.
A previsão é de que a reunião desta terça seja mais curta que as edições de anos anteriores, com encerramento por volta das 12h, em decorrência da viagem de Lula a São Paulo na parte da tarde. O encontro terá foco nos novos ministros, mas contará com a presença dos chefes de todas as pastas, incluindo aqueles que se manterão nos cargos.



