O governo federal, sob a liderança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, tem intensificado as concessões às igrejas evangélicas em uma estratégia clara de aproximação visando a reeleição. Entre as medidas adotadas estão a distribuição de lotes em assentamentos da reforma agrária para a construção de templos, o repasse de recursos municipais para a realização da Marcha para Jesus e a celebração de acordos para programas de inclusão social e qualificação profissional.
Benesses e rejeição crescente
Apesar do esforço governamental, a rejeição ao presidente Lula entre os evangélicos continua a crescer. Segundo a pesquisa Genial/Quaest divulgada em 15 de abril, o índice de desaprovação atingiu 68%, o maior percentual registrado desde julho do ano anterior. Esse número representa um desafio significativo para a estratégia de aproximação do governo com esse segmento religioso.
Distribuição de lotes e recursos
Desde o início do mandato, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) assinou termos de autorização de uso de terras em assentamentos para diversas igrejas evangélicas, incluindo a Igreja Universal do Reino de Deus, Igreja Batista El-Shadai, Assembleia de Deus e Congregação Cristã no Brasil. Os lotes são concedidos gratuitamente. Além disso, o governo realizou transferências diretas de recursos para eventos religiosos em todo o país. Os ministérios do Turismo e da Cultura firmaram sete convênios para a realização de cinco edições da Marcha para Jesus e dois festivais de música gospel, com repasses que variam de 220 mil a 450 mil reais por município. Cidades como Santa Maria (RS), Ribeirão Claro (PR), Aratuba (CE), Álvares Machado (SP) e Presidente Prudente (SP) já receberam esses recursos. No final de 2025, foram liberados 950 mil reais para ações e festivais em Porto Alegre (RS) e Cuiabá (MT).
Uso de estruturas públicas e acordos sociais
A lista de benefícios inclui ainda a autorização para que igrejas evangélicas utilizem estruturas públicas para seus eventos. O Ministério dos Esportes permitiu que a Igreja Internacional da Graça de Deus utilizasse a Arena Carioca, no Rio de Janeiro, para os eventos Outono da Graça de Deus e Mega Help. Embora haja taxas de uso, a medida é vista como um privilégio. Em julho de 2025, o então ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Wellington Dias, assinou um protocolo de adesão de 16 entidades evangélicas ao Programa Acredita no Primeiro Passo, permitindo que as igrejas participem de ações de inclusão socioeconômica de pessoas inscritas no Cadastro Único.
Oposição duvida da eficácia
A oposição não acredita que essas medidas sejam capazes de reverter a desaprovação do presidente entre os evangélicos. O líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), representante da bancada evangélica, afirma que a rejeição a Lula está ligada a fatores como sua defesa histórica do comunismo e do aborto. “O Lula ficou três anos atacando os cristãos. Agora não adianta querer agradar em ano de eleição”, declarou o parlamentar.



