Douglas Ruas (PL) é eleito presidente da Assembleia Legislativa do Rio em sessão extraordinária
Douglas Ruas (PL) eleito presidente da Alerj em sessão extraordinária

Douglas Ruas (PL) assume presidência da Alerj em meio a instabilidade política no Rio

Em uma disputa sem concorrentes, o deputado Douglas Ruas, do Partido Liberal (PL), foi eleito nesta sexta-feira (17) presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). A sessão extraordinária contou com a participação de 45 dos 70 deputados estaduais, sendo que o parlamentar recebeu 44 votos favoráveis.

Esta foi a segunda tentativa de eleição para o cargo em menos de um mês. A primeira votação, realizada há 22 dias, acabou anulada pela Justiça, criando um cenário de instabilidade institucional que o novo presidente promete enfrentar através do diálogo.

Oposição abandona plenário e contesta legitimidade do processo

A eleição foi marcada pela ausência da oposição. O deputado Vitor Júnior (PDT), único concorrente de Douglas Ruas, retirou sua candidatura horas antes da votação. Ele representava uma frente com 25 deputados de nove partidos que abandonaram o plenário e se recusaram a participar do processo eleitoral.

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"Na reunião de colégio de líderes, os partidos que aqui estão se manifestaram contra a realização da eleição até o resultado do processo que tramita no Supremo Tribunal Federal", afirmou a deputada estadual Marta Rocha (PDT), destacando a contestação jurídica que envolve o processo.

Nos dias anteriores, a oposição havia tentado barrar a nova eleição através de ações judiciais, argumentando que a decisão deveria aguardar o julgamento do STF sobre questões relacionadas ao governo do estado.

STF mantém governador em exercício e adia definição sobre sucessão

Embora o presidente da Assembleia Legislativa seja o terceiro na linha de sucessão governamental, Douglas Ruas não assume o governo do estado. O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que o presidente do Tribunal de Justiça do Rio, desembargador Ricardo Couto, permaneça como governador em exercício até o fim do julgamento no STF.

O processo no Supremo vai decidir se a eleição para o mandato-tampão do governo será realizada com voto popular ou apenas com o voto dos deputados da Assembleia Legislativa. Enquanto isso, o ministro Flávio Dino pediu que o processo fique paralisado até que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) publique o acórdão com os efeitos da decisão que tornou Cláudio Castro inelegível.

Cenário de crise política e medidas de reorganização administrativa

A eleição de Douglas Ruas ocorre em um contexto de profunda crise política no Rio de Janeiro. O antigo presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar (União Brasil), teve o mandato cassado pelo TSE e está preso, acusado de ter ligação com o Comando Vermelho - acusação que ele nega.

Um dia depois de renunciar ao cargo, o ex-governador Cláudio Castro também foi condenado pelo TSE por abuso de poder político e econômico, agravando a instabilidade institucional no estado.

Enquanto aguarda a definição do STF, o governador em exercício Ricardo Couto iniciou uma série de medidas para reorganizar a administração estadual:

  • Quinhentas pessoas já foram exoneradas de cargos de confiança, incluindo suspeitos de serem funcionários fantasmas
  • Suspensão de licitações consideradas irregulares
  • Extinção de três subsecretarias estaduais
  • Determinação de auditoria nas contas públicas
  • Realização de pente-fino na máquina administrativa

Busca por normalidade institucional

Em seu discurso após a eleição, Douglas Ruas reconheceu os desafios que enfrentará à frente da Assembleia Legislativa. "Nós temos um cenário de instabilidade institucional no estado do Rio de Janeiro. Então, essa casa não dará nenhum passo se não for através do diálogo com as demais instituições. O que nós estamos buscando aqui é a normalidade institucional", declarou o novo presidente.

A posse de Douglas Ruas representa mais um capítulo na complexa transição política do Rio de Janeiro, onde questões jurídicas e disputas partidárias continuam a moldar o futuro do estado até pelo menos o fim de 2026.

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