A senadora Damares Alves (Republicanos) cobrou do governo Lula uma posição sobre o esquema de desvio e venda irregular de medicamentos de alto custo, incluindo terapias contra o câncer, revelado pela operação Alto Custo, da Polícia Civil do Distrito Federal. A parlamentar enviou ofício ao ministro da Saúde, Alexandre Padilha, solicitando que a pasta confirme se fármacos de origem criminosa entraram no Sistema Único de Saúde (SUS).
Risco à eficácia dos tratamentos
No documento, Damares alerta para o risco à eficácia dos tratamentos, já que os remédios foram reintroduzidos no mercado sem garantia de procedência ou condições adequadas de armazenamento. “A orientação tempestiva aos pacientes é medida essencial para evitar interrupções indevidas de tratamento, reduzir riscos sanitários e preservar a confiança no sistema público de saúde”, argumentou.
Requisição ao Senado
Em paralelo, a senadora apresentou ao Senado um requerimento de informações a ser endereçado ao Ministério da Saúde, buscando mais detalhes sobre a atuação da pasta diante do esquema criminoso.
Operação Alto Custo
Na semana passada, a operação da Polícia Civil do DF desarticulou uma organização criminosa especializada no furto, roubo e revenda ilegal de medicamentos de altíssimo custo, principalmente para tratamentos de câncer, doenças autoimunes e transplantes. O esquema, descrito como “lavagem de medicamentos”, utilizava empresas de fachada para reinserir no mercado remédios desviados, movimentando cerca de 22 milhões de reais em notas fiscais falsas.
A operação resultou em 5 prisões preventivas e no cumprimento de 17 mandados de busca e apreensão. Foram apreendidos medicamentos avaliados em aproximadamente 4 milhões de reais. A quadrilha furtava ou roubava os medicamentos – que custam até 35 mil reais por unidade –, adulterava a rastreabilidade e os revendia com notas fiscais frias, colocando em risco a saúde dos pacientes. A investigação durou um ano para mapear todo o esquema criminoso.



