A União Europeia aprovou formalmente nesta quinta-feira (23) um empréstimo de € 90 bilhões (cerca de R$ 523 bilhões) à Ucrânia, bem como um novo pacote de sanções contra a Rússia, informou a Presidência do bloco. A decisão foi anunciada pelo presidente do Conselho Europeu, António Costa, em publicação no X, destacando que a estratégia da UE para uma paz justa e duradoura na Ucrânia se baseia em dois pilares: fortalecer a Ucrânia e aumentar a pressão sobre a Rússia.
Fim dos vetos de Hungria e Eslováquia
Os embaixadores da UE já haviam aprovado o empréstimo e o pacote de sanções na quarta-feira (22), após Hungria e Eslováquia retirarem seus vetos. O avanço ocorre pouco mais de uma semana depois de Viktor Orbán, aliado da Rússia, ter perdido as eleições legislativas para o conservador pró-Europa Péter Magyar, que prometeu recompor laços com Bruxelas. Orbán havia bloqueado o auxílio após acusar a Ucrânia de protelar o reparo de um oleoduto danificado, segundo Kiev, por um drone russo. O oleoduto transporta petróleo russo para Hungria e Eslováquia. A retomada do fluxo de petróleo na quarta-feira, em paralelo à derrota de Orbán nas urnas, abriu caminho para a aprovação do empréstimo. A Eslováquia também condicionou a retirada de suas objeções à reabertura do oleoduto.
Reação de Zelenski
O presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, que viajou ao Chipre para a cúpula da UE nesta quinta, saudou a aprovação. "Este pacote fortalecerá nosso Exército, tornará a Ucrânia mais resiliente e nos permitirá cumprir nossas obrigações sociais", disse. "É importante que a Ucrânia obtenha esse nível de segurança financeira, após mais de quatro anos de guerra em grande escala", acrescentou.
Detalhes do empréstimo
Apenas metade dos € 90 bilhões será liberada este ano, e o restante em 2027. A maior parte, cerca de € 60 bilhões, destina-se a gastos militares, além de aproximadamente € 17 bilhões anuais para necessidades orçamentárias gerais, como saúde e educação. A UE reconhece que o empréstimo de dois anos cobre apenas cerca de dois terços das necessidades de financiamento externo da Ucrânia. Para 2027, parceiros internacionais ainda precisam se comprometer com o financiamento restante, afirmou o comissário da UE para a economia, Valdis Dombrovskis.
Sanções contra a Rússia
As sanções aprovadas nesta quinta, o vigésimo pacote desde 2022, visam o setor bancário russo e acrescentam novas restrições às exportações de petróleo, cujas receitas financiam grande parte da guerra contra a Ucrânia.
Ataques continuam
Em paralelo aos anúncios, os ataques seguiram na noite desta quinta. Autoridades russas e ucranianas reportaram a morte de ao menos seis pessoas por ataques de drones. O governo de Dnipropetrovsk, no centro da Ucrânia, relatou pelo menos três mortos e dez feridos em ataques russos contra áreas residenciais. Serviços de emergência locais divulgaram vídeo mostrando bombeiros combatendo um incêndio em um prédio residencial. A cidade de Dnipro fica a mais de 100 km da linha de frente. Na região ocidental de Zhyitomyr, uma mulher morreu quando um drone russo atingiu uma instalação de transporte público. Do lado russo, uma pessoa morreu em ataque na localidade de Samara (oeste do país), segundo o governador regional Viacheslav Fedorischev no Telegram. Outra morte ocorreu em ataque noturno na região fronteiriça de Belgorod. As Forças Armadas de ambos os países relataram pelo menos 100 drones interceptados durante a noite.
Visita do príncipe Harry
Também nesta quinta, o príncipe Harry, do Reino Unido, viajou a Kiev sem anúncio oficial e pediu que os EUA assumam papel decisivo para pôr fim à invasão russa na Ucrânia. Esta é sua terceira visita ao país para apoiar veteranos feridos, como parte de seu trabalho na Fundação Invictus Games. Ao discursar no Fórum de Segurança de Kiev, disse que a Ucrânia deu exemplo de "liderança" e "unidade" desde o início da invasão em fevereiro de 2022. "Este é um momento para a liderança americana; um momento para os EUA demonstrarem que podem honrar suas obrigações decorrentes dos tratados internacionais", afirmou. Harry também se dirigiu a Vladimir Putin, pedindo-lhe que "evite mais sofrimento tanto para os ucranianos quanto para os russos e que escolha um caminho diferente". "Presidente Putin, nenhum país se beneficia com a contínua perda de vidas que estamos testemunhando. Ainda há tempo para deter esta guerra", disse. O príncipe também planeja visitar a Halo Trust, organização de remoção de minas que sua mãe, a princesa Diana, apoiava.



