O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou nesta quinta-feira, 23 de abril, que Washington não sente pressão para encerrar a guerra contra o Irã. Em publicação nas redes sociais, Trump afirmou: 'Tenho todo o tempo do mundo, mas o Irã não. O relógio está correndo!'. O republicano reiterou que qualquer acordo de paz será feito nos termos dos EUA e no momento que considerar apropriado.
Pressão sobre o Irã
Trump destacou que o bloqueio naval imposto pelos EUA é 'hermético e firme' e que a situação só tende a piorar para Teerã. Apesar de ter dito anteriormente que o conflito duraria apenas dias ou semanas, o presidente agora sinaliza uma postura de longo prazo, condicionando o fim da guerra a condições favoráveis aos interesses americanos e de seus aliados.
Crise energética global
A guerra, iniciada em 28 de fevereiro com ataques de EUA e Israel ao Irã, já provoca a pior crise energética da história, segundo o diretor da Agência Internacional de Energia (AIE), Fatih Birol. Em entrevista à rádio France Inter, Birol explicou que a combinação da crise do petróleo com a crise do gás relacionada à Rússia gera impactos severos. 'Não se trata apenas de petróleo e gás, mas também de fertilizantes, produtos petroquímicos e enxofre. Todos esses produtos estarão em falta, impulsionando a inflação mundial, especialmente em países emergentes e em desenvolvimento, e desacelerando o crescimento econômico', afirmou.
No início de abril, Birol já havia classificado a crise como 'mais grave do que as de 1973, 1979 e 2022 juntas', ressaltando a magnitude sem precedentes da perturbação no fornecimento global de energia.
Cessar-fogo e tensões no Estreito de Ormuz
Na terça-feira, Trump prorrogou por tempo indeterminado o cessar-fogo com Teerã para permitir mais negociações de paz, em meio às incertezas sobre o Estreito de Ormuz. No entanto, o principal negociador iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou na quarta-feira que um cessar-fogo total só é viável se os EUA encerrarem o bloqueio naval aos portos iranianos, classificando a manutenção do bloqueio como 'violação flagrante' da trégua.
Na quinta-feira, o Departamento de Defesa dos EUA anunciou a apreensão de mais um petroleiro associado ao contrabando de petróleo iraniano no Oceano Índico. A ação ocorre após Teerã atacar três navios de carga no Estreito de Ormuz, capturando dois deles. O exército iraniano afirmou que 'a força naval do Corpo de Guarda Revolucionária Islâmica identificou e deteve esta manhã, no Estreito de Ormuz, dois navios infratores, que foram conduzidos para a costa iraniana'.
Desde o início do conflito, mais de 30 navios foram atacados nas águas do Golfo Pérsico, Estreito de Ormuz e Golfo de Omã. A ameaça de ataques, o aumento dos prêmios de seguro e outros temores interromperam o tráfego marítimo pelo estreito, por onde, em tempos de paz, transitam 20% das exportações mundiais de petróleo e gás, além de outros produtos essenciais.



