Milhares de pessoas participam neste sábado, 16, de manifestações simultâneas no centro de Londres. De um lado, apoiadores do grupo de extrema direita Unite the Kingdom (UTK), liderado pelo ativista Tommy Robinson. De outro, manifestantes pró-Palestina e organizações antifascistas reunidas em atos ligados à Nakba, data que relembra o deslocamento de palestinos durante a criação do Estado de Israel, em 1948.
Esquema de segurança robusto
A Scotland Yard mobilizou cerca de 4 mil policiais, além de drones, cavalos, helicópteros e veículos blindados, para evitar confrontos entre os grupos rivais. As autoridades estimavam a presença de mais de 80 mil pessoas nas ruas, enquanto restrições de trajeto e horário foram impostas para manter distância entre os atos. Até o início da tarde, ao menos 11 pessoas haviam sido presas por diferentes infrações. Pela primeira vez em uma manifestação desse porte, a polícia também anunciou o uso de reconhecimento facial em tempo real.
Crescimento da extrema direita no Reino Unido
O protesto da extrema direita ocorre em meio ao crescimento de movimentos nacionalistas e anti-imigração no Reino Unido, cenário agravado após o avanço eleitoral do partido Reform UK, liderado por Nigel Farage, nas eleições locais inglesas realizadas na semana passada. O primeiro-ministro Keir Starmer, pressionado politicamente após o resultado, afirmou que grupos que promovem “ódio e divisão” serão enfrentados com rigor pelas autoridades. O governo britânico também proibiu a entrada no país de ativistas estrangeiros ligados ao ato organizado pelo UTK.
Tommy Robinson e o histórico de islamofobia
As autoridades britânicas acompanham de perto a marcha liderada por Tommy Robinson, nome adotado por Stephen Yaxley-Lennon, devido ao histórico de discursos islamofóbicos e episódios de violência associados a seus apoiadores. Em vídeos divulgados antes do protesto, Robinson pediu que os participantes evitassem confrontos. O Conselho Muçulmano da Grã-Bretanha orientou membros da comunidade a evitarem o centro de Londres durante o fim de semana por medo de episódios de violência e discursos islamofóbicos. “O último evento contou com palestrantes que incitaram abertamente o ódio, entoaram slogans anti-muçulmanos e incentivaram violência e desobediência civil”, afirmou a entidade em comunicado.
As manifestações acontecem em paralelo à final da Copa da Inglaterra, entre Manchester City e Chelsea, em Wembley, o que aumentou a preocupação da polícia com a possível participação de torcedores violentos ligados a grupos da extrema direita.



