Irã afirma não confiar nos EUA e exige seriedade para retomar negociações
Irã não confia nos EUA e exige seriedade para negociar

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, declarou nesta sexta-feira, 15, que o país não confia nos Estados Unidos e só está disposto a negociar se Washington demonstrar seriedade. A afirmação ocorre em meio a um impasse diplomático, com o presidente americano Donald Trump afirmando que está perdendo a paciência com os iranianos.

Declarações do chanceler iraniano

“Só estamos interessados em negociar se a outra parte estiver falando sério. Não confiamos nos americanos. Estamos tentando manter o cessar-fogo para dar uma chance à diplomacia”, disse Araqchi. A declaração foi feita após uma reunião de dois dias dos chanceleres do Brics em Nova Délhi, na Índia, onde ele também acusou Washington de enviar mensagens contraditórias que complicam a diplomacia.

Na quinta-feira, o chanceler iraniano instou os países-membros do Brics a condenarem os ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã, acusando os Emirados Árabes Unidos de envolvimento direto nas operações militares. Segundo Araqchi, que pediu resistência coletiva à “hegemonia ocidental”, Teerã é “vítima de expansionismo ilegal e belicismo”.

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Estreito de Ormuz e crise global

O ministro declarou ainda que qualquer navio pode cruzar o Estreito de Ormuz, exceto aqueles em guerra com o Irã, mas mesmo assim precisam se coordenar com a Marinha iraniana. O país efetivamente encerrou a navegação pela rota marítima por onde passa 20% do petróleo mundial, em resposta aos ataques conjuntos dos Estados Unidos e Israel, iniciados em 28 de fevereiro, causando uma crise sem precedentes no fornecimento global.

Impasse nas negociações nucleares

Washington suspendeu os ataques ao Irã mediante um cessar-fogo no mês passado, mas iniciou um bloqueio naval aos portos do país. As negociações para encerrar o conflito estão paralisadas, com o Irã se recusando a encerrar seu programa nuclear ou a abrir mão de seu estoque de urânio enriquecido. A AIEA estima que o material seja suficiente para fabricar até dez ogivas, caso siga na rota do enriquecimento.

Trump sugeriu recentemente que os Estados Unidos só precisam obter o material nuclear iraniano por uma questão de aparências. “Não acho que seja necessário, exceto do ponto de vista de relações públicas”, disse Trump à Fox News. “Eu me sentiria melhor conseguisse (apreender o estoque de urânio), na verdade. Mas acho que é mais para relações públicas do que qualquer outra coisa.”

Teerã nega que seu objetivo seja obter armas nucleares e insiste que o programa de enriquecimento se destina apenas a fins civis e energéticos.

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