EUA reafirmam política sobre Taiwan após alerta de Xi sobre conflito
O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, declarou nesta quinta-feira, 14 de maio de 2026, que a política americana em relação a Taiwan permanece inalterada. A afirmação foi feita em entrevista à emissora NBC News, após o presidente chinês Xi Jinping alertar, em reunião com Donald Trump, que a questão da ilha pode levar a um confronto ou conflito armado se for mal administrada.
“Nossas políticas sobre isso não mudaram. Elas têm sido bastante consistentes ao longo de várias administrações presidenciais e continuam consistentes agora”, afirmou Rubio. Os Estados Unidos não reconhecem Taiwan formalmente como país — apenas doze nações mantêm laços diplomáticos com o governo local —, mas são o principal apoio militar da ilha.
O ex-presidente Joe Biden foi mais enfático ao prometer defender Taiwan em caso de ataque chinês. Em 2022, Biden afirmou que, apesar de Washington concordar com a política de Uma Só China, a ideia de que Taiwan possa ser tomada à força não é apropriada. Trump, por sua vez, suavizou a promessa e destacou que a defesa do território deveria ser responsabilidade exclusiva de Taipé. Embora Taiwan já gaste cerca de 2% do PIB com defesa, Trump argumenta que deveria corresponder a 10% do produto interno bruto. O republicano tem adotado uma política de “ambiguidade estratégica”, sem garantir claramente se defenderia a ilha em caso de ofensiva chinesa.
Pacote de armas e tensões
Paralelamente, a China pressiona os EUA a suspenderem o pacote de US$ 11 milhões em armas para Taiwan, o maior da história, anunciado em dezembro de 2025. Se concluída, a venda superará todas as 19 rodadas de comércio bélico durante o governo Biden, que arrecadou US$ 8,38 bilhões. O pacote inclui Sistemas de Foguetes de Artilharia de Alta Mobilidade e obuseiros com propulsão automática, cada tipo estimado em US$ 4 bilhões.
Segundo o Departamento de Estado, o acordo atende aos interesses americanos ao apoiar a modernização das forças armadas de Taiwan e manter uma capacidade defensiva crível. Taipei agradeceu aos EUA pela transação, afirmando que ajudará a ilha a construir rapidamente capacidades robustas de dissuasão.
Em resposta, a China condenou a negociação e salientou que a promessa mina severamente a soberania, segurança e integridade territorial chinesa. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Guo Jiakum, afirmou que a tentativa dos EUA de apoiar a independência pela força só vai sair pela culatra, e que conter a China usando Taiwan absolutamente não terá sucesso.
O encontro entre Trump e Xi ocorreu em um contexto de tensões crescentes, com o presidente americano convidando Xi para visitar a Casa Branca em setembro, após chamar o encontro de “fantástico”.



