Estoques de mísseis e drones de EUA e Irã após quase dois meses de guerra
Estoques de mísseis de EUA e Irã na guerra

Após quase dois meses de guerra, Estados Unidos e Irã registram uma redução significativa em seus estoques de armamentos considerados estratégicos, como mísseis avançados e drones. A informação consta em uma análise do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS) publicada nesta terça-feira, 21, e em dados de autoridades norte-americanas.

Impacto nos estoques americanos

Nas últimas sete semanas de conflito, os militares dos EUA gastaram pelo menos 45% de seu estoque de mísseis de ataque de precisão. Além disso, utilizaram pelo menos metade de seu estoque de mísseis THAAD, projetados para interceptar mísseis balísticos, e quase 50% de seu estoque de mísseis interceptores de defesa aérea Patriot, de acordo com o CSIS.

No início deste ano, o Pentágono assinou uma série de acordos para expandir a produção de mísseis, mas o cronograma de entrega para substituir esses armamentos é de três a cinco anos, observa o relatório. Antes mesmo do início da guerra, análises já apontavam níveis baixos de estoque, agravados pelo envio de armas para aliados como Ucrânia e Israel.

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Declarações de Trump

O levantamento contrasta com declarações recentes do presidente Donald Trump, que negou que os EUA estejam ficando sem armamento — mesmo depois de solicitar um financiamento adicional para mísseis devido ao impacto da guerra com o Irã nos estoques existentes. “Estamos pedindo por vários motivos, que vão além até mesmo do que estamos discutindo no Irã”, disse Trump no mês passado, referindo-se ao pedido de financiamento adicional do Pentágono. “Munições, em particular, temos muitas, principalmente as de alta tecnologia, mas estamos preservando-as”, acrescentou.

Segundo o CSIS, os EUA ainda têm mísseis suficientes para levar a guerra adiante, mas podem ficar em posição vulnerável em caso de novos conflitos.

Situação no Irã

O governo americano afirma ter reduzido em 90% a capacidade de mísseis balísticos e drones do Irã, enquanto Israel diz ter atingido mais de 70% dos lançadores iranianos. O secretário de Defesa americano, Pete Hegseth, disse no início de abril que os EUA tinham “dizimado” as Forças Armadas iranianas, deixando-as “ineficazes em combate por muitos anos”.

Uma reportagem da emissora americana CBS News publicada na quarta-feira, no entanto, aponta que o Irã pode ter mais capacidade militar do que os Estados Unidos admitem publicamente. Autoridades americanas ouvidas pela CBS News estimam que cerca de metade do arsenal de mísseis balísticos e de sistemas de lançamento ainda esteja intacta. Parte desses equipamentos pode estar armazenada em estruturas subterrâneas, como cavernas e bunkers, dificultando sua destruição.

Os dados apontam, no entanto, uma queda no número de lançamentos de mísseis e drones ao longo da guerra, além de limitações na defesa aérea — evidenciadas, por exemplo, por sobrevoos de bombardeiros americanos B-52 sem interceptação eficaz.

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