É #FAKE que Lula recomendou caminhada por aumento da gasolina; fala era sobre Ozempic
É #FAKE: Lula não recomendou caminhada por gasolina cara

Vídeo fora de contexto viraliza com declaração falsa atribuída a Lula sobre gasolina

Circulam intensamente nas redes sociais, desde 14 de março, publicações que compartilham um vídeo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com uma mensagem enganosa. Os posts, disseminados no Instagram, TikTok, X (antigo Twitter) e Facebook, sobrepõem ao vídeo a caixa de texto: "Gasolina tá cara, vá a pé ???". As legendas associadas afirmam que, diante do aumento dos combustíveis, a resposta do governo seria: "Vai a pé. O cara tem que aprender que andar faz bem".

O contexto real da declaração presidencial

Embora o vídeo seja autêntico e não uma produção de inteligência artificial, ele foi completamente retirado de seu contexto original. A gravação mostra Lula participando da inauguração do Setor de Trauma do Hospital Federal do Andaraí, na Zona Norte do Rio de Janeiro, em 13 de março. A tarja visível na parte inferior da imagem confirma o local e o evento.

A declaração do presidente, na íntegra, não faz qualquer menção a combustíveis ou preços. Lula estava, na realidade, comentando sobre o uso do medicamento Ozempic, indicado para tratamento de diabetes e obesidade, que começaria a ser disponibilizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no Rio. O prefeito Eduardo Paes (PSD) havia mencionado o tema no início do evento.

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No discurso, Lula expressou preocupação: "Outra coisa que o Eduardo [Paes] falou que me deixou preocupado, [...] a questão do Ozempic. [...] Você não pode dar de presente uma injeção para as pessoas emagrecerem. Se a pessoa quer comer quatro rabadas por dia, três feijoadas, comer um quilo de torresmo... Se o médico não orientar corretamente, nós vamos ter problema. O remédio não é um prêmio para quem é relaxado. O remédio tem que ser dado para as pessoas que, por necessidade de saúde, não conseguem emagrecer".

Em seguida, o presidente fez uma crítica direta ao sedentarismo, incentivando a prática de exercícios: "Por que que as pessoas não andam meia hora todo dia? Por que que não caminham? Por que que não faz ginástica? As pessoas têm que aprender a tirar a bunda da cadeira e andar um pouco, andar. O cara vai comprar pão, vai de carro. O cara vai na farmácia, vai de carro. O cara... sabe? Anda um pouco. Ele tem que aprender que andar faz bem".

Timing da desinformação e medidas governamentais

O conteúdo falso ganhou força justamente dois dias após o governo federal anunciar, em 12 de março, medidas para conter a alta dos preços dos combustíveis, impulsionada pelo conflito no Oriente Médio. As ações incluíram o aumento do imposto sobre a exportação de petróleo e a isenção de impostos federais sobre o diesel.

Segundo o último balanço da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), divulgado em 27 de março, o litro do diesel acumulava alta de quase 24% nos postos desde o início do conflito, passando de R$ 6,03 para R$ 7,45, em média. A gasolina, por sua vez, registrou aumento de 8%, subindo de R$ 6,28 para R$ 6,78 o litro.

Posicionamento oficial da Presidência da República

Procurada pelo Fato ou Fake, a Secretaria de Comunicação da Presidência da República (Secom) emitiu uma nota oficial desmentindo categoricamente as publicações. "O conteúdo é FALSO. Diferentemente do que afirma a postagem, o presidente criticou o uso excessivo de canetas emagrecedoras. A fala teve como objetivo estimular hábitos saudáveis como praticar exercícios e alimentação saudável, não existindo nenhuma relação com o preço de combustíveis", afirmou a Secom.

A nota ainda ressaltou que a declaração está disponível na íntegra nos canais oficiais e que o evento foi transmitido ao vivo e acompanhado pela imprensa. A Secretaria também repudiou a divulgação de boatos falsos com objetivos políticos, que visam "desinformar a população e manipular a opinião pública".

O vídeo original do discurso completo pode ser acessado no YouTube do Canal Gov, transmitido no próprio dia 13 de março. A checagem demonstra claramente como trechos isolados e fora de contexto podem ser utilizados para criar narrativas falsas e enganar o público, especialmente em momentos de sensibilidade econômica.

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